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Rações Industrializadas para animais de estimação - Por que evitar?

Meu gatinho fofo que virou estrelinha...

Meu gatinho fofo que virou estrelinha...

É com pesar que eu venho contar para vocês que meu querido gatinho Nicolaj não resistiu e foi embora deste plano no último dia 12 de junho… Nem preciso dizer que já estou cheeeeeeeia de saudades do meu gorducho, do fofo que nasceu aqui em casa, que eu ajudei a vir ao mundo, que eu cuidei desde o primeiro instante e que sempre foi puro carinho com todos nós aqui em casa.

Eu estou com saudades, muitas saudades, mas confesso também que estou aliviada, porque o bichinho estava sofrendo demais, sem apetite, cheio de náuseas e ânsias, emagrecido, fraco, sem energia para nada. Agora ele virou uma estrelinha lá no céu, junto com a mamãe dele, a Julinha.

Mas essa história toda com ele só me fez ter mais certeza do quanto a alimentação à base de produtos industrializados faz mal à saúde. Produtos alimentícios industrializados fazem mal para nós e fazem mal para nossos bichinhos de estimação. Eu já falei AQUI do quanto me incomoda admitir que, mesmo estudando tanto sobre alimentação natural, mesmo falando tanto sobre a importância de evitar os industrializados, eu continue oferecendo ração industrializada aos meus gatos. Eu continuo disponibilizando, mas isso está mudando aos poucos aqui em casa. Não mudou a tempo de salvar o meu gatinho Nicolaj, mas mudou a tempo de ver meus outros 5 gatinhos persas ficarem com um pelo muito mais bonito, mudou a tempo de vê-los mais robustos e ativos.

Eu ainda tenho um longo caminho a percorrer com a alimentação dos gatos, mas assim como valeu a pena para mim, para meu filho e para o meu marido, tenho certeza de que a alimentação natural vai valer muito a pena para meus gatos.

Como criancas que foram acostumadas a vida inteira a comer muita porcaria, os gatinhos resistem um pouco a certas novidades na alimentação. Cheiram, olham, fazem caretas, desprezam. Eu não insito, tento de novo mais tarde, dou carinho, converso. Sim, eu converso com meus gatos!! Será que sou maluca? Só quem tem um bichinho de estimação para entender, né!!!

Quero agora compartilhar com vocês um texto maavilhoso que achei na internet e por sorte guardei nos meus arquivos. Sorte, porque não tornei a achar o texto novamente para colocar o link aqui… Leiam com atenção, ele foi escrito por uma pessoa que estudou muito e que entende muitíssimo do assunto. Na verdade ele nem foi propriamente “escrito”, otexto mostra um pouco das opiniões do autor do texto, ms acima de tudo reúne trechos das melhores literaturas internaionais sobre o assunto. E o assunto aqui é ração para animais de estimação, mas ao longo da leitura vocês vão notar o quanto os perigos dos industrializados para humanos e para animais são parecidos…

Por que não dar Ração?

Introdução

Desde a inauguração deste espaço tenho publicado quase que exclusivamente informações sobre a dieta natural. Com exceção de um texto publicado lá atrás, bem no comecinho, pouco foi discutido aqui sobre o que, de fato, compõe as rações comerciais.

E esse tipo de informação é imprescindível para qualquer um interessado em proporcionar uma vida realmente saudável para seu cão ou gato. Em países da Oceania, Europa e nos Estados Unidos e no Canadá, conceitos como a dieta BARF, por exemplo, são relativamente bem conhecidos. Isso acontece porque os principais livros sobre alimentação caseira foram escritos em inglês.

Essas obras mais importantes infelizmente permanecem inéditas no Brasil. Por esse motivo, ao longo dos últimos meses importei diversos livros a respeito dest assunto. Levei perto de um mês para receber cada um, mas valeu a pena. São leituras interessantíssimas, repletas de dicas úteis e pontos de vista refrescantes.

Publicados por veterinários que nem sempre concordam entre si, mas que exibem currículos respeitáveis, esses livros dedicam capítulos às rações comerciais. A verdade sobre as rações secas, úmidas que constituem há algumas décadas a principal forma de alimentação de animais. E explicam, tim-tim por tim-tim, conceitos que a maioria dos veterinários e proprietários ignora.

Dentre eles:

  • Ingredientes das rações;
  • O processamento e a perda dos nutrientes;
  • Aditivos e seus efeitos deletérios;
  • A relação entre esse tipo de nutrição e certas doenças;
  • A contaminação das rações com micotoxinas.

Até uns meses atrás eu pensava que preparar em casa as refeições dos pets era um exagero, um trabalho que não compensava. Sempre enxerguei nas rações o melhor alimento possível. Completo, balanceado e prático. Conhecia superficialmente a BARF e dietas similares, mas acreditando na segurança nutricional das rações, eu via a alimentação natural com curiosidade, apenas.

E então, nesse ano (2008) tive a oportunidade de ter aulas de Nutrição Animal com um professor que não escondeu a verdade. Com o que aprendi, acordei para a urgente necessidade de formular um cardápio para os meus pets que realmente fizesse sentido. Comecei a estudar, trouxe livros de fora, e, bem, aqui estamos.

Por um período ainda indeterminado publicarei aqui informações levantadas por médicos-veterinários e pesquisadores. Adianto que é um quadro bem distante da realidade pintada pelos anúncios publicitários e representantes da multibilionária indústria de rações. Espero que para muitos de vocês que ainda não aderiram à dieta natural, esses textos sejam tão esclarecedores quanto foram para mim.

Desvendando o rótulo

A primeira parte dessa série tem como objetivo despertar o senso crítico em relação às rações comerciais para cães e gatos. Para isso, selecionei e traduzi trechos que considero significativos nos principais livros que abordam esse assunto. Achei interessante começar pelos rótulos. Os fabricantes, como vocês vão ler a seguir, fazem o inimaginável para que você acredite que as rações são balanceadas, completas e saudáveis.

Vale usar fotos de legumes selecionados, cortes frescos de carne, produtos nobres e exóticos. Vale empregar frases de efeito que apelam – ironicamente – ao “natural”, à “natureza”. Não existe nenhum tipo de restrição a essas formas de propaganda enganosa. Tanto que uma das principais estratégias empregadas por eles para ludibriar leigos e até veterinários é a descrição dos ingredientes das rações em termos propositadamente vagos.

Meses atrás, eu costumava achar chiquérrimo a inclusão de polpa de beterraba nas rações. Depois fui entender o motivo real para o uso desse ingrediente. A tal polpa de beterraba é nada mais do que um resíduo da indústria de adoçantes, fonte de fibra, contendo alto teor de açúcar. Absorve muita água, contribuindo para diminuir o volume das fezes e deixá-las mais secas. Isso causa uma falsa impressão de alta digestibilidade – e pode predispôr o pet a diabetes, entre outras enfermidades.

Agora você vai aprender a desmistificar outros ingredientes das rações. Se possível, leia os textos comparando as informações apresentadas com os dados contidos em qualquer embalagem de ração para cães ou gatos. No mínimo, você vai se surpreender com as verdadeiras definições do que, de fato, entra no saco de ração e no organismo do seu animal.

Rótulos podem ser ludibriosos

Trecho do livro: Dr. Pitcairn’s Complete Guide to Natural Health for Dogs & Cats

Autor: Richard Pitcairn, médico-veterinário PhD em Imunologia 
Edição: 2005

Inédito no Brasil.

O consumidor é freqüentemente orientado a ler o rótulo das embalagens de rações para identificar quais seriam os melhores alimentos. Parece bom. Infelizmente, a maneira como são criados os rótulos não ajuda muito a compreender a qualidade daquele alimento. Por exemplo, um dos principais nutrientes, que somos sempre orientados a verificar, é a proteína. Mas se olharmos somente a proteína total, conforme indicado no rótulo, não teremos considerado dois fatores importantes: o valor biológico e a digestibilidade. Vamos entender esses termos.

Proteína O valor biológico da proteína depende da composição única de aminoácidos de cada proteína. Esses aminoácidos são como os tijolos que o corpo utiliza para construir seus próprios tecidos. Ovos recebem um valor ideal de 100, o que significa que eles são a forma mais aproveitável de proteína que existe. Nessa escala relativa, a carne de peixe recebe nota 92; carne bovina e leite, 78; arroz, 75; grão de soja, 68; levedura, 63; e glúten de trigo, 40.

A digestibilidade de uma proteína (ou de qualquer alimento) é simplesmente o quanto o trato gastrintestinal (estômago e intestinos) consegue absorver desse nutriente. Por exemplo, uma fonte pode ter 70% de digestibilidade, enquanto outra tem 90%. Algumas proteínas, como as do cabelo e pêlos – são menos digestíveis por serem mais duras ou impossíveis de quebrar, mesmo sendo proteínas.

Vejam que interessante: as prolongadas altas temperaturas empregadas para esterilizar algumas rações podem destruir grande parte dessas proteínas de alto valor biológico. Isso ocorre porque com o calor as proteínas se combinam com certos açúcares que são adicionados à mistura, e formam compostos que não podem ser quebrados pelas enzimas digestivas do organismo. Afinal de contas, o sistema digestório dos animais desconhece esses nutrientes processados a altas temperaturas. Como poderia a evolução ter preparado os animais para aproveitar essas substâncias?

Já que os fabricantes são obrigados a listar o teor de proteína bruta em vez da quantidade de proteína presente que o animal realmente conseguiria digerir e aproveitar, eles podem e fazem a inclusão de fontes baratas que podem suprir o pet com proteínas muito menos utilizáveis do que você poderia imaginar. A maioria das pessoas não percebe que termos como “sub-produtos de carne” podem na verdade significar mistura de penas de galinha, tecido conjuntivo (cartilagem), mistura de couro (sim, couro, como aquele usado na fabricação de cintos ou sapatos), dejetos de aves e de outros animais, e pêlos de bovinos e de cavalos.

Robert Abady, fundador da Robert Abady Dog Food Company, descreve “farinha de carne e ossos” como “geralmente composto por osso moído, cartilagem, tendões, e é a forma mais barata e menos nutritiva de ofertar farinhas de sub-produtos”. O mesmo acontece com as expressões “farinha de carne de cordeiro”, “farinha de carne de frango” e “farinha de carne de peixe”.

Todas essas formas são largamente utilizadas nas rações. Tais ingredientes certamente aumentam o teor de proteína bruta, mas oferecem poucos nutrientes. (Certamente não é a minha idéia de uma boa refeição para animais). Por causa da adição de ingredientes duros e fibrosos, os cães geralmente conseguem aproveitar apenas cerca de 75% das proteínas que compõem as “farinhas de carne de ….” da ração. E as “farinhas de carne de …” se tornam ainda menos digestíveis graças ao cozimento com altas temperaturas requerido para esterilizar a mistura. Farinha de sangue, outro ingrediente barato, contém ainda menos proteínas aproveitáveis.

Como acontece com as proteínas, outros ingredientes básicos podem variar largamente quanto à qualidade e à digestibilidade.

Carboidratos Carboidratos podem ser uma excelente fonte de nutrientes. Em muitos produtos, contudo, como acontece com as rações semi-úmidas, a fonte de carboidratos vem de alimentos como o açúcar – que contém calorias vazias-, propileno glicol, e xarope de milho. Também fiquei sabendo que donuts que sobram da indústria de fast-foods têm sido usados como fonte de carboidratos na ração, bem como grãos embolorados e rançosos impróprios para consumo humano.

Com exceção dos açúcares, é difícil verificar, por meio da leitura do rótulo, o que você está recebendo na ração. Outros exemplos de fontes de carboidratos incluem:

  • Farelo de arroz – finamente triturada, geralmente é o que sobra do processo de moagem. Contém valor nutricional muito baixo.
  • Polpa de beterraba – o resíduo desidratado do açúcar de beterraba.
  • Glúten de milho – o resíduo do milho desidratado depois que são removidos o amido, o gérmen e a fibra. Pouco nutritivo, se tanto.
  • Levedura de arroz – frações do arroz que foram descartadas do processo de fabricação da cerveja, contendo resíduos pulverizados, desidratados e desgastados. Pouco valor nutricional, se tanto.
  • Grãos rançosos ou embolorados – impróprios para consumo humano.

Gorduras e fibras Os lipídios (gorduras) geralmente derivam de gordura animal rejeitada para consumo humano. Tais gorduras podem estar rançosas, um estado que normalmente torna a gordura tóxica para o organismo. O ranço também rouba as vitaminas essenciais dos lipídios. As fibras podem vir simplesmente de vegetais ou de grãos integrais, ou pode significar adição de fibra derivada de fontes como cascas de amendoim, pêlos ou até folhas de jornal.

Termos genéricos Como você pode ver, as análises químicas contidas no rótulo não significam muita coisa. Para ilustrar esse conceito, um veterinário criou um produto contendo a mesma composição básica de proteínas, lipídios e carboidratos que uma marca comum de ração para cães, usando sapatos velhos de couro, óleo de graxa e lascas de madeira. O que quero dizer é que os rótulos nem sempre nos informam o bastante. Desconfie principalmente de rações que listam seus ingredientes em termos genericamente categóricos, como esses:

  • Farinha de carne e de ossos
  • Sub-produtos de carne
  • Hidrolisado animal desidratado
  • Sub-produtos de frango
  • Farinha de sub-produtos de frango
  • Hidrolisado de sub-produtos de frango
  • Sub-produtos de galinha
  • Hidrolisado de fígado
  • Farinha de peixe
  • Sub-produtos de peixe

Nos Estados Unidos, a Pet Food Institute, que representa a indústria, pediu repetidas vezes permissão do Food and Drug Administration (FDA) para empregar mais expressões como essas, de ingredientes coletivos. Os membros da indústria argumentam que termos como esses permitem que eles escolham “itens de preço mais baixo” de cada uma das classes de ingredientes. Alguns dos termos mais cobiçados incluem “animais processados e produtos de proteína marinha”, “produtos vegetais” e “produtos com fibras de plantas”. Veja como um termo como “produtos vegetais” não nos informa na verdade nada sobre o que está na ração!

Afinal de contas, um produto vegetal pode significar qualquer parte de uma planta ou os resíduos dessa planta após o processamento. Eles querem que esses termos sejam aprovados justamente por serem tão vagos e mal definidos, isso lhes dá uma ampla latitude sobre os ingredientes que entram na ração sob o mesmo termo explicativo.

Leia o rótulo

Trecho do livro: Natural Health Bible for Dogs & Cats

Autor: Shawn Messonier, médico-veterinário 
Edição: 2001

Inédito no Brasil

Proprietários de animais de estimação enfrentam dificuldades de compreensão quando se deparam com termos como “galinha”, “farinha de frango” e “farinha de sub-produtos de frango” nos rótulos das rações. Leia agora como a AAFCO (Association of American Feed Control Officials – o órgão responsável pelas rações nos EUA), define alguns desses termos.

  • Farinha de sub-produtos de animais: tecido animal reciclado sem adição de pêlos, cascos, chifres, couro, esterco e conteúdo estomacal, exceto em quantidades que as boas práticas de processamento não conseguiram evitar.
  • Farinha de glúten de milho: é o resíduo seco da proteína do milho, depois de retirados o amido e a gordura, e da separação da fibra por um processo empregado com moagem úmida para a fabricação de amido de milho e xarope de milho. Farinha de glúten de milho é um sub-produto com baixo teor de aminoácidos essenciais. Milho moído, que contém o grão inteiro do milho, é preferível.
  • Carne: carne limpa de animais abatidos restrita aos músculos esqueléticos ou da língua, diafragma, coração, ou esôfago, com ou sem gordura, tendões, pele, nervos e vasos sanguíneos. Pode ser de qualquer espécie como porcos, cabras, coelhos, e etc. Se o termo estiver acompanhado por uma espécie identificada (exemplo: peru), a carne precisa corresponder à essa espécie.
  • Farinha de carne e de ossos: tecido reciclado de mamíferos (sem gordura e água), incluindo ossos, sem pêlos, cascos, chifres, couro, esterco e conteúdo estomacal. Trata-se de um sub-produto com quantidades variáveis de carne e ossos (que difere dependendo do lote) e qualidade protéica variável. Assim como na “farinha de carne”, pode conter carne oriunda de animais mortos antes do abate, animais que chegaram moribundos ao abatedouro, animais doentes ou defeituosos; ou seja, impróprios para consumo humano.
  • Farinha de sub-produtos: partes limpas não-recicladas (contêm gordura e água) que não incluem carne e que são pulmões, baço, rins, cérebro, fígado, sangue, ossos, estômago e intestinos sem conteúdo. Não pode incluir dentes, pêlos, chifres e cascos. Essa fonte de proteína pode ser mais saudável do que “farinha de carne” ou “farinha de carne e ossos” (já que vem de tecido não reciclado e de animais abatidos, em vez de vir de carcaças de animais que morreram antes do abate), mas não há maneira de saber apenas pela leitura do rótulo, quanto de cada sub-produto está incluído na ração.
  • Farinha de sub-produtos de frango: partes limpas moídas e recicladas de carcaças de aves abatidas, inclui: pescoço, pés, ovos mal desenvolvidos e intestinos. Não pode conter penas, exceto em quantidades que não podem ser evitadas com boas práticas de processamento. A qualidade entre os lotes é bastante inconstante.

Obs: Muitas das fontes de proteína animal de baixa qualidade (como a farinha de carne e ossos) mostram ampla variabilidade. Não existem padrões, por exemplo, para quanto de carne e quanto de ossos devem ser incluídos nessa farinha. Como resultado, é impossível saber o que entra nessa categoria e em outras fontes questionáveis de proteína.

Tudo começa com a alimentação

Trecho do livro: The Nature of Animal Healing

Autor: Martin Goldstein, médico-veterinário 
Edição: 1999

Inédito no Brasil

“Farinha de soja”, nem é grão de soja de verdade. Depois que a maior parte do óleo – a porção mais benéfica para as pessoas, e também para os pets – é extraída do grão de soja, os resíduos que sobram são moídos como “farinha de grão de soja”. (Nota da Pat: e hoje já sabemos inclusive que nem o óleo e nem parte alguma da soja faz bem à saúde. CLIQUE AQUI para ler mais)

“Farelo de trigo”, o terceiro ingrediente de muitas rações pode parecer menos desconcertante que a “farinha de soja”. Infelizmente, a AAFCO permite que a farelo de trigo inclua “a cauda da moagem”, uma expressão que significa qualquer resíduo varrido do chão das fábricas de moagem de trigo ao fim de uma semana.

Alimentos de origem animal

Trecho do livro: “Nutrição Animal I”

Autor: José Milton Andriguetto 
Edição: 2002

Publicado originalmente no Brasil.

Farinha de fígado: fundamentalmente a farinha de fígado é obtida pela dessecação e trituração de fígados provenientes de animais abatidos. Considerando, entretanto, que o fígado dos animais tem boa aceitação em termos de consumo humano e que além disso é um material muito procurado para a fabricação de extratos para uso medicamentoso, é muito difícil conseguir para uso animal uma farinha pura. O normal é que essas farinhas sejam obtidas de aparas de fígado ou de fígados condenados pela inspeção nos matadouros e ainda dos resíduos da indústria farmacêutica. Em virtude do pequeno volume, via de regra, os fígados são colocados junto com os resíduos que irão constituir as farinhas de carne. O mais comum até é que, a estas aparas e a estes resíduos, sejam juntadas outras vísceras, como rins ou pulmões, constituindo uma farinha mista.

Decifrando os ingredientes misteriosos

Livro: Food Pets Die For

Autora: Ann Martin, pesquisadora da indústria de rações há 18 anos 
Edição: 2008

Inédito no Brasil.

Farinha de pena hidrolisada: o AAFCO considera esse ingrediente como fonte de proteína – embora não seja uma proteína digestível.

Peixe: as partes utilizadas para as rações são cabeças de peixe, caudas, nadadeiras, ossos e vísceras. Se o rótulo informa “peixe”, significa que as partes vêm diretamente das fábricas de processamento de peixes e não passam pelo processo de reciclagem. R.L.Wysong, médico-veterinário, afirma que porque o peixe inteiro não é utilizado pela maioria das indústrias de rações, não contêm a maior parte das vitaminas lipossolúveis, minerais, e ácidos graxos (ômega 3) necessários para a boa nutrição. Quando se usa nas rações o peixe inteiro normalmente é porque o peixe contém um nível alto de mercúrio ou outras toxinas, tornando-o impróprio para consumo humano.

Farinha de peixe: o resíduo da reciclagem nas fábricas de processamento de peixes compõe esse produto. Pode incluir cabeça, cauda, nadadeiras, vísceras e sangue.

Farinha de sangue: produzido com sangue fresco e limpo de animais, excluindo-se materiais externos como pêlos, conteúdo estomacal, e urina, exceto em quantidades não evitadas pelas boas práticas de processamento.

Polpa de beterraba: o resíduo seco do açúcar de beterraba é adicionado como fonte de fibra, mas é, primariamente, açúcar.
A enganosa prática do “splitting” nos rótulos

Milho e trigo são, geralmente, os primeiros ingredientes listados nos rótulos das rações para cães e gatos. No entanto, algumas indústrias de rações listam os ingredientes dos produtos de maneira que o primeiro ingrediente que aparece seja uma fonte de proteína. Por exemplo, em um pacote de ração para gatos de marca conhecida, os ingredientes do rótulo são listados nessa ordem:

Farinha de sub-produtos de frango, milho moído, trigo, farinha de glúten de milho, farinha de soja, farelo de arroz, etc.

A maioria das pessoas ao lerem esse rótulo presumirão que “farinha de sub-produtos de frango” é o principal ingrediente, oferecendo uma fonte ampla de proteína. Errado. Na verdade, o milho é o primeiro ingrediente dessa ração para gatos. Para dar a impressão de que a fonte protéica é o principal ingrediente nessa ração, o fabricante dividiu o milho em duas categorias: milho moído e farinha de glúten de milho. Mas se você contar o total de todas as formas de milho utilizadas e contar o total de todas as fontes de proteína verá que o milho é muito mais abundante.

Na indústria de rações para pets, essa prática de rotulação se chama “splitting” (“repartição”, ou “dividindo”, em inglês). Os fabricantes querem que você pense que o principal ingrediente é alguma carne, e por isso dividem os produtos de milho em várias categorias.

Contribuição pessoal 
Na faculdade de Med. Veterinária, meu professor de Nutrição nos contou que confeitos de M&M’s foram parar nas rações para pets um tempo atrás. Era a época daquela promoção que premiava quem encontrasse o raro M&M vermelho. Com a supressão dos confeitos vermelhos nas embalagens subseqüentes à promoção, esses M&M’s descartados precisavam ser aproveitados de alguma forma. 
E certamente foram. A indústria de rações absorveu esses confeitos, pelo período de duração da promoção. “Porque afinal de contas, chocolate e amendoim são fontes de glicose”, explicou meu professor.

Cães e Gatos como Fonte de Proteína?

O segundo capítulo dessa série traz a mais perturbadora revelação acerca da indústria de rações. Para quem sempre se perguntou para onde vão os milhares de toneladas de cães e gatos mortos por eutanásia ou por doenças, a pesquisadora canadense Ann Martin oferece uma resposta.

Há cerca de vinte anos, Ann Martin quase perdeu seus cães, um Terranova e um São Bernardo, por uma severa intoxicação por zinco. Foi quando descobriu, levando amostras das rações dos cães a um laboratório independente, que os níveis de zinco ultrapassavam 20 vezes o teor diário máximo tolerado pelo organismo de um cão.

Nas próprias palavras de Ann Martin, “logo, aprendi que se tratava de uma indústria bilionária que em muitos aspectos regulamenta a si mesma”.

Esse achado motivou a autora a iniciar uma pesquisa profunda sobre a indústria de alimentos supostamente “completos e balanceados”. Fruto desses estudos, o livro “Food Pets Die For” (algo como “Comidas pelas quais os cães morrem”, em inglês, inédito no Brasil), foi publicado em 1997.

A terceira edição, que importei pela livraria Cultura, é fresquinha: foi publicada agora, em 2008. Nele, Ann Martin atualiza os fatos escandalosos envolvendo essa indústria e traz explicações detalhadas sobre o que realmente esteve por trás de recalls de rações como o de 2007, responsável pela morte de milhares de animais de estimação.

Mas o mais chocante de todos os fatos – mais do que a pobreza nutricional dos ingredientes, mais até do que o perigo dos aditivos e contaminantes – é a informação que vocês lerão a seguir. Segundo a autora, países como os Estados Unidos e o Canadá fazem amplo uso de carne de cães e gatos eutanasiados ou mortos por doenças, nas rações. Sim, aparentemente, cães e gatos de lá estão comendo… outros cães e gatos.

É possível, entretanto, que tal informação não se aplique ao Brasil – assim como parece não se aplicar a países da Europa, cujas leis proíbem essa prática. Mas, de qualquer maneira, achei interessante publicar essa informação, pesquisada por Ann Martin há mais de 18 anos. Quero acreditar que no Brasil é diferente. Que, como grandes produtores de carne, não precisamos recorrer a isso. Mas é impossível não pensar: se nesses países acontece isso, o que impediria de acontecer também por aqui?

Trecho do livro: Food Pets Die For 
Autora: Ann Martin 
Edição: 2008

Carcaças de animais como fonte de proteína

Essa terceira edição de “Food Pets Die For” está prestes a ir para a gráfica, e gatos e cães oriundos de abrigos e de clínicas veterinárias de todas as partes dos Estados Unidos e do Canadá continuam sendo reciclados para compor uma fonte de proteína chamada “farinha de carne”. Empresas de beneficiamento de sub-produtos de origem animal vendem, então, essa farinha de carne para fabricantes de rações para pets. Ainda é permitido reciclar carcaças de cães e gatos, juntamente com uma variedade de outros resíduos animais listados abaixo, para compor uma fonte protéica para as rações dos pets.

Fabricantes de rações para cães e gatos negam veementemente o uso de “farinhas de carne” que incluem carcaças de cães e gatos. Se tais afirmações dos fabricantes e recicladores são verdadeiras, então preciso perguntar: onde estão indo parar os milhões de carcaças de cães e gatos eutanasiados?

De fato, resíduos de cães e gatos continuam sendo empregados para fazer “farinha de carne” para rações de pets e possivelmente para alimentação de camarões, enguias e uma variedade de peixes que são então comprados e comidos por humanos. Tecnicamente, o que inocenta muitos fabricantes de rações para pets é que eles não sabem diretamente se carcaças de pets são parte do produto que eles compram dessas fábricas de reciclagem/processamento.

Fabricantes de rações também afirmam pedir aos seus fornecedores que não incluam carne de cães e gatos; entretanto, estou para encontrar uma empresa de reciclagem que separe carcaças de cães e gatos de outros sub-produtos animais a serem reciclados. Também ainda não encontrei uma empresa de rações para cães e gatos que, de fato, teste o material cru recebido das fábricas de reciclagem para determinar as fontes de proteína.

É praticamente impossível detectar o DNA de qualquer espécie depois que a carne foi cozida no processo de reciclagem, ou após ter sido transformada em ração pronta para cães e gatos.

O processo de reciclagem

As empresas de reciclagem são o último estágio dos resíduos da sociedade. Na verdade, essas fábricas promovem um serviço necessário, ainda que desagradável. Essas fábricas recebem sub-produtos animais sem utilidade de uma variedade de fontes: indústrias de processamento, supermercados, açougues, restaurantes, e de qualquer outra fonte que necessite se livrar de seus produtos de origem animal.

Os recicladores recolhem animais que morreram no campo, chegaram mortos ou moribundos ao abate, ou que foram descartados por outros motivos. Também recolhem material condenado e acometido por doenças; animais mortos por atropelamento, animais de zoológico, e cães e gatos eutanasiados por clínicas veterinárias e abrigos de animais. Acrescente a essa mistura sórdida milhares de quilos de carne pretendida para consumo humano que sofreram recall (reconvocação), mas que foram rejeitadas por causa de contaminação.

Na fábrica de reciclagem de resíduos animais, todas essas carcaças, sub-produtos animais e resíduos são cortados em pedaços antes de serem jogados dentro de grandes tanques para moagem e cozimento. Isso resulta na separação da gordura daquilo que será considerado “farinha de carne”. A gordura sobe até o topo e é extraída para ser usada como a camada de cima das rações de lata para cães e gatos. Essa gordura também pode ser usada em produtos para uso em humanos, como cosméticos.

O material mais pesado afunda para a parte de baixo, onde é seco para remoção de mais gorduras. E então tudo é moído. Essa é a “farinha de carne” que você encontra em muitas rações para pets.

O produto “farinha de carne”

A reciclagem é um meio barato e viável de descartar animais de estimação eutanasiados. Se um cão ou gato não é cremado ou levado para casa para ser enterrado, então a carcaça muito provavelmente vai parar no tanque de reciclagem. Empresas de recolhimento de animais mortos retiram carcaças de cães e gatos e os levam para as fábricas recicladoras. Os corpos, muitas vezes portando as coleiras, placas de identificação, e coleiras anti-pulgas, são atirados em tanques gigantescos junto com outros sub-produtos animais.

Só em Los Angeles, mais de 200 toneladas de cães e gatos são recicladas anualmente. Estatísticas sobre o descarte de animais de companhia eutanasiados em abrigos em 2002, conforme levantado pelo National Animal Control Association (NACA), dos Estados Unidos, mostram que anualmente 13 milhões de cães e gatos são eutanasiados. Destes, 30% são enterrados, 30% são cremados, e o restante – cerca de 5,2 milhões de carcaças de pets – são levados para estabelecimentos de reciclagem.

Inúmeras vezes questionei o Pet Food Institute (PFI), organização não-governamental que é porta-voz dos principais fabricantes de rações para pets. O PFI afirma regular a indústria de rações para pets nos Estados Unidos. Perguntei ao PFI se os fabricantes de rações testam o material cru vindo das empresas de reciclagem. Na primavera de 2004, o PFI informou que os fabricantes não testam o material cru para saber que fontes animais foram recicladas. Antes da publicação dessa edição, perguntei novamente ao PFI se alguma das indústrias de ração para pets que essa organização representa mudou seu posicionamento e se agora estavam testando o material cru. O PFI preferiu não responder.

Os abrigos californianos com os quais me correspondi tinham uma perspectiva um pouco diferente. A maioria dos funcionários dos abrigos estava ciente de que a empresa que eles contrataram levava animais a fábricas de reciclagem. Eles estavam cientes de que poucas clínicas veterinárias e abrigos tinham seus próprios estabelecimentos de cremação. Quando pedi a algumas clínicas e abrigos se poderiam me disponibilizar os nomes das companhias de descarte que recolhiam esses animais, todos me informaram as mesmas duas empresas: D&D Disposal, Inc,. de propriedade da recicladora West Coast Rendering; e Koefran, Inc., de propriedade da recicladora Reno Rendering.

De acordo com uma planilha publicada pela National Renderers Association (Associação Nacional dos Recicladores), de 2004, animais eutanasiados em abrigos “são recolhidos pela empresa D&D Disposal” também conhecida como West Coast Rendering, localizada em Vernon, na Califórnia. D&D processa centenas de toneladas de carcaças de animais, tecidos e sub-produtos que estariam destinados, do contrário, a aterros.

Essa mesma planilha informou que a maioria dos resíduos animais reciclados vinham de porcos, gado, frangos e ovelhas. “Outros resíduos animais incluem restos de açougue, gordura de restaurantes, peixes, animais do zoológico, animais marinhos e também animais oriundos de abrigos.”

Reciclagem de pets no Canadá

O processamento de cães e gatos para utilização em produtos para pets também é permitido no Canadá. No entanto, empresas de reciclagem de animais de companhia no Canadá existem em escala muito menor do que nos Estados Unidos. O Ministério canadense mantém registros dos animais mortos destinados ao sistema de processamento, mas nenhum registro é mantido sobre o número de animais de companhia, animais mortos por atropelamento ou animais de zoológicos processados. Isso também se aplica aos Estados Unidos, cujo Departamento da Agricultura não exige que sejam criados registros para a reciclagem de pets.

Contatei o Ministério da Agricultura de Quebec onde havia um número de fábricas de processamento. Pedi que fosse confirmada a verdade por trás dessa prática. O ministro de Quebec escreveu, “Animais mortos são cozidos junto com vísceras, ossos e gorduras a 115 graus Celsius por vinte minutos.” E também “os pêlos dos cães e dos gatos não são removidos.”

Nove anos depois que descobri que os animais eutanasiados de Ontário estavam sendo enviados para a fábrica de reciclagem Sanimal em Quebec, um repórter do Toronto’s Globe and Mail confirmou essa prática em um artigo de junho de 2001. Colin Freeze reportou que “A gigante recicladora Sanimal, Inc. recentemente informou a seus fornecedores, incluindo abrigos de toda a província, que animais sacrificados, obedecendo à sensibilidade do consumidor, não serão mais aceitos”.

Ao longo dos anos percebi que quando uma dessas operações de processamento fechava as portas, outra surgia para continuar com a prática. Alguém precisa reciclar esses milhares de carcaças de cães e gatos uma vez que é ilegal atirá-los em aterros, em grande parte por causa das drogas usadas para promover a morte (eutanasiantes), como Sódio Pentobarbital, que causaria danos ambientais.

Depois que descobri que a Sanimal Inc. não estava mais aceitando animais de companhia para reciclagem, escrevi para o Ministério da Agricultura de Quebec e perguntei, “vocês sabem de alguma empresa de reciclagem de resíduos animais em Quebec que esteja aceitando cães e gatos para processamento?” A resposta que recebi estava em francês, o idioma oficial da Província de Quebec. A tradução dizia o seguinte, “Eis o estabelecimento que agora recebe cães e gatos, Maple Leaf, Inc.” Tentei contatar a empresa Maple Leaf no mínimo cinco vezes e, até outono de 2007, não obtive nenhuma resposta.

Aditivos

Nas duas últimas décadas temos observado uma epidemia de doenças crônicas nos cães e gatos – obesidade, diabetes, alergias, gastroenterites, câncer, hipo e hipertireoidismo, etc. Doenças raramente observadas nos animais de estimação dos nossos avós, alimentados com comida caseira. Quando questionei um professor sobre isso, ele me respondeu: “não tem nada a ver com a alimentação. Estão aparecendo mais doenças porque, graças aos avanços da medicina, hoje podemos diagnosticar mais e melhor.”

Discordo completamente. Por que será que de uma hora para a outra surgiram expressões como cão ou gato “atópico”, “alergia a picada de pulgas”, e etc? Pelo que estudei, e pelo que pessoalmente acredito, o buraco é mais embaixo. A maioria dos veterinários atribui essa hipersensibilidade a fatores não palpáveis como genética, azar e estresse; ou ainda, a elementos meramente desencadeadores, como pulgas e ácaros. Com essa ótica minimalista, perdemos convenientemente de vista questões maiores como a alimentação.

Será que a ração oferecida todos os dias desde o desmame do cão ou gato não poderia ser um fator de contribuição para essa hipersensibilidade? Alguns veterinários se dão conta disso, mas caem na besteira de trocar a ração do animal por outra na tentativa de solucionar uma alergia, por exemplo. Não é culpa deles, na verdade. Na faculdade somos ensinados a confiar incondicionalmente nas rações comerciais. Deixamos a nutrição animal nas mãos de especialistas da indústria, enquanto engolimos sem questionar, que as rações são a melhor e a única forma de alimentar nossos pets e os pets dos clientes.

Na primeira parte dessa série, acima, vimos o que podem ser os ingredientes das rações – até daquelas caríssimas, consideradas Super Premium. Se subprodutos impróprios para consumo humano serão moídos, processados repetidamente a altas temperaturas, submetidos à pressão e a processos químicos, como então podemos acreditar que um cão apresenta coceira porque a ração que ele come é à base de frango ou de boi?

O frango ou carne de boi, aliás, qualquer fonte protéica, foi praticamente destruído na fabricação da ração. Segure um pellet de ração em sua mão. Você acha, realmente, que nesse pedacinho duro, seco e poroso, que cheira a químicos, sobrou algum traço de carne fresca? Algo da carne que pudesse provocar coceiras em seu animal? Obviamente, a solução para a alergia alimentar do seu cão não é oferecer uma dieta cozida baseada em carnes caras e pouco acessíveis, como cordeiro, avestruz e coelho, como orientam alguns veterinários.

O animal pode ter alergia a “n” elementos obrigatórios das rações, como os aditivos. Mas uma vez trocada a ração por uma alimentação caseira natural, livre de aditivos, o animal pode minimizar ou mesmo se curar do quadro alérgico – mesmo comendo uma carne que o veterinário julgou alergênica para ele, como a carne bovina. Infelizmente, os veterinários confiam demais na indústria e negligenciam o estudo da alimentação. Não fosse esse o caso, leriam o quão deletérios podem ser os efeitos dos conservantes, amplamente associados a alergias de pele.

No curso de nutrição da faculdade, aprendi, em primeira mão, coisas que deixam qualquer um com senso crítico de cabelos em pé. Um exemplo é o da reciclagem de rações. Apesar de conterem conservantes e antioxidantes para garantir um prazo de validade cada vez maior, as rações invariavelmente ultrapassam esse prazo. O que acontece, então, com aqueles sacos vencidos? São gentilmente recolhidos por funcionários daquela marca de ração e reaproveitados. Entram em outros lotes, onde sofrerão um processamento idêntico ao anterior e logo estão de volta nas prateleiras, sob outro prazo de validade.

Nessa reciclagem, uma nova bateria de aditivos é acrescentada, somando-se aos aditivos contidos na ração originalmente – e isso sem contar os aditivos existentes nos itens comprados pela fábrica para compor a ração. Cientes da opinião negativa do público em relação a esses sintéticos, muitos rótulos se valem de termos vagos como “antioxidante” – sem revelar qual – para descrever os preservantes utilizados.

Vamos entender quem são, afinal, os aditivos, e porque eles podem fazer mal aos pets.

Aditivos acrescentados às rações processadas dos cães e gatos

Agentes anti-congelamento, lubrificantes, agentes antimicrobianos, antioxidantes, adoçantes não nutritivos, adoçantes nutritivos, agentes corantes, agentes redutores de oxidação, agentes curadores, agentes controladores de pH, agentes secantes, co-processadores, emulsificadores, seqüestrantes, agentes firmadores, veículos solventes, flavorizantes, estabilizadores, espessantes, intensificadores de flavorizantes, agentes superficiais ativos, agentes para farináceos, co-formuladores, sinergistas, humectantes, texturizantes, agentes niveladores. (Tom Lonsdale, médico-veterinário)

Adoçantes

Derivado químico do amido de milho, o xarope de milho produz a mesma curva energética que o açúcar refinado e provoca o mesmo desgaste no pâncreas e glândulas adrenais, condição que pode levar à diabetes. Não apenas dilui outros nutrientes na ração por proporcionar “calorias vazias”, destituídas de vitaminas, minerais, proteínas ou gorduras, mas também pode superestimular a produção de insulina e de sucos digestivos ácidos.
Os adoçantes interferem com a habilidade do organismo de absorver as proteínas, cálcio e outros minerais existentes na ração. Além disso, podem inibir o crescimento de bactérias intestinais úteis. (Richard Pitcairn, médico-veterinário).
Outros adoçantes incluem açúcar, sorbitol, etileno glicol e propileno glicol. (Shawn Messonier, médico-veterinário)

Conservantes:

Conservantes sintéticos aprovados para uso em rações comerciais para pets incluem hidroxianisol butilado (BHA) e hidroxitolueno butilado (BHT), propil galato, propileno glicol e etoxiquina. Há pouca informação disponível sobre a toxicidade, as interações, ou efeitos que esses aditivos podem ter nos pets que os ingerem diariamente. (Ann Martin, autoridade internacional sobre rações para pets)

Propileno glicol

Esse composto, notório causador de enfermidades em cães, é utilizado para manter a textura e umidade ideais e para agrupar o conteúdo hídrico, inibindo assim o crescimento bacteriano. É considerado o conservante que mais causa problemas de saúde em cães – pele ressecada e com coceira, queda de pêlos, desidratação, sede excessiva e problemas periodontais (nas gengivas e dentes). (Richard Pitcairn, médico-veterinário).

Pode causar anemia em gatos e pode levar cães e gatos a diabetes. (Shawn Messonier, médico-veterinário)

Etileno glicol

Também chamado de anti-congelamento, pode ser fatal para os pets em altas dosagens. (Shawn Messonier, médico-veterinário)

BHA

O hidroxianisol butilado (BHA) é um antioxidante e conservante químico empregado em muitos alimentos. Pode causar reações alérgicas e afeta as funções renais e hepáticas. (Shawn Messonier, médico-veterinário).
Evita que o conteúdo gorduroso das rações para pets se torne rançoso. Com esse conservante, a ração tem vida eterna nas prateleiras. Há muito se suspeita que o BHA possa ser carcinogênico. (Ann Martin).

BHT

Curiosamente, foi demonstrado que hidroxitolueno butilado (BHT) inibe alguns tipos de câncer, enquanto simultaneamente, promove outros. Apesar de suas propriedades carcinogênicas serem conhecidas, esses produtos continuam a ser empregados nos alimentos dos humanos e dos pets. (Tom Lonsdale, médico-veterinário)

Suspeito de ser carcinogênico. Pode desencadear defeitos congênitos e danos aos rins e ao fígado. Embora o BHT e o BHA sejam também empregados em alimentos de consumo humano, como chicletes, cereais e manteiga, não ingerimos esses conservantes a cada refeição, ao contrário dos animais de companhia. (Ann Martin)

Conservante pouco testado, é associado por alguns cientistas ao estresse metabólico, anormalidades fetais e aumento no colesterol. (Richard Pitcairn, médico-veterinário).

Seu uso alimentício foi banido no Japão (em 1958), Romênia, Suécia e Austrália. Nos Estados Unidos, é proibido seu uso em comidas infantis. O Mc Donald’s deixou de utilizar esse conservante em 1986. (Wikipédia sob o termo de pesquisa “BHT”)

Etoxiquina

Desenvolvida em 1950 pela corporação de tecnologia agropecuária Monsanto, a etoxiquina era originalmente um estabilizador de borracha. É, na verdade, o mais utilizado conservante de pneus, evitando que a borracha neles se oxide. É empregado na maioria das rações de animais de produção, especialmente para os frangos, o que significa que os humanos, não apenas os pets, a absorvem. Mas só é utilizada diretamente nas rações para pets.

Está associada a um sem número de complicações médicas, incluindo infertilidade, enfermidades e mortes neonatais, problemas de pele e de pelagem, desordens imunológicas, disfunção na tireóide, pâncreas e fígado; e problemas comportamentais. Acadêmicos da Austrália, Noruega e do México encontraram fortes vínculos entre a etoxiquina e diversos efeitos maléficos em ratos e galinhas, incluindo degradação hepática e renal significativa.

Outra coisa: a Animal Protection Institute of America (APIA) observa que o fabricante só é orientado a listar a etoxiquina no rótulo da ração se foi ele quem incluiu esse conservante na fórmula. Quando ela entra na ração oriunda das fábricas de reciclagem de resíduos animais ou do frigorífico, não é necessário informar isso no rótulo. E nos últimos anos, o uso dessa substância aumentou. (Martin Goldstein, médico-veterinário).

As concentrações de etoxiquina nos alimentos processados para humanos são baixas – o US Food and Drug Administration (FDA) limita a etoxiquina a cinco partes por milhão na comida humana – e de qualquer modo, nós não comemos tudo o que precisamos de um pacote de ração diariamente. Já as rações para pets podem conter etoxiquina a 150 partes por milhão.

Só de entrar em contato com rações para animais de produção que continham etoxiquina, pessoas desenvolveram severas dermatites. Algumas pessoas acreditam que essa gama de problemas de pele e de fertilidade são diretamente atribuíveis à etoxiquina.(Tom Lonsdale, médico-veterinário)

Originalmente desenvolvida como estabilizante de borracha e herbicida, a etoxiquina segundo relatórios enviados ao FDA pode causar reações alérgicas, problemas de pele, falência de órgãos e câncer. Um teste de alimentação encomendado pela Monsanto, fabricante da etoxiquina, mostrou mudança na cor do fígado e enzimas hepáticas reduzidas em cães alimentados com rações contendo esse químico, mas essas alterações não foram consideradas significativas porque os cães não estavam clinicamente doentes. (Richard Pitcairn, médico-veterinário).

Cloreto de Sódio

Mais conhecido como “sal comum”, esse é um mineral adicionado em geral de forma abusiva nas rações para pets. A carne de animais herbívoros apresenta por volta de 0,4% de sal, que seria o nível diário ideal para carnívoros como os cães e gatos. Mas a ração seca comumente apresenta níveis muito elevados, podendo atingir de 1 a 3.5% de sal! O sal nas rações incorre em proporções até 8.5 vezes maiores do que as necessidades naturais por motivos benéficos aos pets ou seria por outras razões?

De acordo com a fabricante Hill’s (Science Diet): “alguns fabricantes usam cloreto de sódio e outros sais inorgânicos para aumentar a palatabilidade dos alimentos.” Outra razão é que o sal é um conservante efetivo e barato. Os fabricantes parecem estar cientes dos riscos de toxicidade por sal. Por esse motivo, as embalagens das rações para animais de estimação orientam enfaticamente a deixar água fresca constantemente disponível para o pet. (Tom Lonsdale, médico-veterinário)

Nitrito de sódio

Esse composto é largamente utilizado tanto como conservante quanto como corante vermelho. Pode produzir potentes substâncias carcinogênicas conhecidas como nitrosaminas. (Richard Pitcairn, médico-veterinário).

Acidificantes

Até mesmo as rações secas, com pequeno risco de contaminação bacteriana, podem conter acidificantes. Conseqüências adversas potenciais de alimentos acidificados incluem abrasão aos dentes e efeitos irritantes aos intestinos. As enzimas presentes no intestino delgado necessitam de um meio alcalino para trabalhar. Por serem alimentos acidificados, eles precisam ser excretados pelos rins, favorecendo assim perda de importantes minerais. (Tom Lonsdale, médico-veterinário)

Corantes

Outra classe comum de aditivos geralmente listados apenas como corantes artificiais não requer rotulação específica. Nos alimentos para pets, essa classe inclui os seguintes corantes derivados de piche, todos permitidos sem os devidos estudos alimentares e acrescidos à ração para torná-la aceitável aos olhos humanos:

Vermelho número 3 
Vermelho número 40 (um provável carcinogênico) 
Amarelo número 5 (não totalmente testado) 
Amarelo número 6 
Azul número 1 
Azul número 2 (estudos demonstraram que esse corante aumenta a sensibilidade dos cães a vírus fatais)

Corantes similares que foram banidos dos alimentos para pessoas e para pets na década de 70 incluíam o Vermelho número 2 (que parecia aumentar morte e defeitos nos fetos), e Violeta número 1 (suspeito de ser um carcinogênico capaz de provocar lesões na pele).

Em um mercado competitivo onde todos os grandes fabricantes empregam esses corantes para tornar a ração mais parecida com carne vermelha fresca, uma empresa que tentasse comercializar seu produto nas suas cores verdadeiras – vários tons nada atraentes de cinza – colocaria a si mesma em séria desvantagem. (Richard Pitcairn, médico-veterinário)

Corante caramelo: agente corante marrom usado para intensificar e escurecer a cor da ração.

Nitrito de sódio: usado como agente antimicrobiano, faz com que o alimento enlatado mantenha uma cor rosada após o processamento.

Dióxido titânio: um talco branco usado para clarear a cor da ração. (Shawn Messonier, médico-veterinário).

O corante Vermelho número 3, ou eritrosina, provocou câncer na tireóide de ratos em laboratório alimentados com uma alta dosagem desse químico. Quando pesquisadores brasileiros testaram os efeitos de onze corantes comuns de alimentos, a eritrosina foi observada como o corante com efeito mais potente sobre as delicadas enzimas celulares. A eritrosina é rica em iodo. No entanto, esse iodo é biologicamente inacessível para o animal.

Essas combinações de cores podem parecer atraentes aos nossos olhos, mas os efeitos para os animais são negativos ou inexistentes. (Tom Lonsdale, médico-veterinário)

Humectantes

Humectantes químicos absorvem umidade e desidratam bactérias e fungos que estragam os alimentos. Eles também estão por trás do aspecto semi-úmido de algumas rações para cães e gatos. A severidade dos efeitos deletérios causados por eles dependem de fatores tais como a concentração de químicos e a freqüência da ingestão.

Em 1996, o British Small Animal Veterinary Association emitiu uma advertência: rações semi-úmidas preservadas com propileno glicol – que também atua como humectante – não são recomendadas para filhotes de gato, pois podem afetar as células vermelhas do sangue. No mesmo ano, o US Food and Drug Administration (FDA) removeu o propileno glicol da categoria GRAS – Generally Recognised As Safe (Em Geral Considerado Seguro). (Tom Lonsdale)

Flavorizantes

Mais elásticos ainda são os meios que controlam a maior classe de aditivos utilizados nos Estados Unidos – os flavorizantes artificiais. Principalmente graças a um lobby poderoso, os fabricantes desses sabores podem sintetizar novos flavorizantes, considerá-los seguros com poucos ou nenhum teste, e depois empregá-los sem necessidade de autorização do FDA sob o genérico termo “flavorizantes artificiais”.

Já que não temos meio algum de confiar ou verificar a segurança do flavorizante utilizado, qualquer proprietário seriamente preocupado com a saúde do pet deveria evitar completamente o uso de produtos – para si mesmo ou para o pet – que contenham esse misterioso grupo de ingredientes. (Richard Pitcairn)

Ácido fosfórico

Faz cócegas na língua dos animais, atuando como promotor artificial do apetite, principalmente em gatos. (Martin Goldstein, médico-veterinário)

Fontes: *Natural Health Bible for Dogs and Cats: DVM Shawn Messonnier – 2001, ed. Three Rivers Press 
*Dr. Pitcairn’s Complete Guide to Natural Health for Dogs and Cats – 3rd Edition: DVM PhD Richard Pitcairn – 2005, ed. Rodale 
*Food Pets Die For: Ann N. Martin – 2008, ed NewSage Press 
*Raw Meaty Bones Promote Health: DMV Tom Lonsdale – 2001, ed. Rivetco 
*The Nature of Animal Healing: DMV Martin Goldstein – 1999, ed Ballantine Book

Doenças

O quarto e penúltimo capítulo da série “rações” traz reflexões de veterinários e pesquisadores que apóiam a alimentação natural sobre doenças comumente associadas às dietas “completas e balanceadas”. Atualmente, ouvimos falar com freqüência de problemas como a torção gástrica, pancreatite, alergias cutâneas, tumores, afecções do trato urinário em felinos e “tártaro” dentário. O que poucos sabem é que todas essas doenças estão relacionadas ao consumo de rações comerciais.

Até trinta anos atrás, quando as rações ensaiavam sua penetração no mercado brasileiro, essas eram ocorrências pouco freqüentes. Em populações de cães selvagens, então, afecções como a temível torção gástrica nunca foram documentadas. Hoje em dia, no afã de diagnosticar e tratar, a maioria dos veterinários acaba, sem querer, sentenciando os animais de estimação a uma vida de supressão de sinais clínicos e manutenção de uma dieta artificial sem entender que atitudes como estas só contribuem com o agravamento dos quadros.

Muitos, ao se depararem com a alternativa natural de alimentação, acusam as dietas cruas de exporem excessivamente os pets a microorganismos patológicos, ignorando, muitas vezes, o fato de que carnívoros como cães e gatos evoluíram para digerir e aproveitar alimentos crus. Antes um nível tolerável de bactérias – coisa facilmente debelada por animais imunologicamente competentes – do que a contínua ingestão de um modelo de dieta que parece atender muito melhor os interesses da indústria do que dos animais.

Leia abaixo a opinião de médicos-veterinários e pesquisadores e veja mais uma vez porque, pelo menos para mim, alimentar pets com ração não é mais uma opção viável.

Torção gástrica

A Síndrome Dilatação e Torção Gástrica, mais conhecida como torção gástrica, é um distúrbio que pode ter conseqüências fatais para os cães. Raças de cães grandes e gigantes são especialmente acometidas. Raças especialmente predispostas incluem o Basset Hound, o Dogue Alemão, o Pastor Alemão, o Boxer, o Borzói, o São Bernardo, o Terra Nova e outros grandões. Trata-se de um problema com duas fases. O estômago se enche de gases e, inchado, rotaciona sobre o próprio eixo. Isso comprime importantes vasos sanguíneos e órgãos e leva à morte se o animal não receber atenção veterinária imediatamente. Mais de 60 mil cães sofrem de torção gástrica todos os anos, só nos Estados Unidos.

Muitas teorias têm tentado explicar a prevalência da Síndrome Dilatação e Torção Gástrica pelo consumo das rações comerciais para pets e práticas de criação. Isso se deve largamente ao fato de a torção gástrica ser desconhecida em populações de canídeos selvagens. Pode ser que o alimento comercial seco, baseado em cereais e altamente fermentável torne os cães mais propensos à torção. (Lowell Ackermann, médico-veterinário)

Nos últimos anos o número de casos de torção gástrica aumentou dramaticamente, e estudos apontam para a ração seca como um dos culpados. Jerold Bell, médico-veterinário, da Tufts University, descobriu que houve um aumento de 1.500% na incidência de torção gástrica nos últimos 30 anos. Cães alimentados com rações comerciais que contêm gordura entre os quatro principais ingredientes apresentaram um risco 170% maior de desenvolver a torção gástrica.

Um estudo sobre a torção gástrica conduzido por M. Raghaven, médico-veterinário da Purdue University, mostrou que “a inclusão de restos de comidas nas dietas de cães grandes e gigantes foi associada a uma diminuição de 59% do risco de torção gástrica, enquanto que a inclusão de rações úmidas foi associada a apenas 28% de diminuição do risco.” (Ann Martin, pesquisadora e autoridade internacional sobre pet food.)

Oferecer uma dieta natural, preparada em casa parece ser a melhor maneira de evitar esse problema. Sirva de duas a três pequenas refeições diariamente ao invés de apenas uma. Evite especialmente oferecer ração seca ou alimentos concentrados que absorvem água depois de ingeridos. O cão comerá além de suas capacidades e quando o alimento se misturar à água, o estômago sofrerá distensão graças ao grande volume estomacal. Isso impede que o estômago se esvazie naturalmente e também aumenta as chances de o estômago se torcer. (Richard Pitcairn, médico-veterinário)

Hipertireoidismo

Pesquisas realizadas na University of Georgia’s College of Veterinary Medicine sugerem que várias outras substâncias na alimentação comercial do gato chamadas de goitrogênicos podem contribuir para o hipertireoidismo. Identificar e eliminar esses goitrogênicos pode ajudar a produzir um declínio na atual epidemia de hipertireoidismo. (Martin Goldstein, médico-veterinário)

Comportamento

Problemas de treinamento são mais comuns em cães alimentados com rações secas. O problema tem a ver com conteúdo de pouca umidade da ração seca, mas mais provavelmente o problema está relacionado com os conservantes. Apenas recentemente foram direcionados estudos para essa área. (Richard Pitcairn)

Em Londres, nos anos 70, me lembro de uma epidemia de “gatos malucos”. As criaturas dementes grunhiam e sibilavam e corriam para lá e para cá ensandecidas, como que perseguidas por demônios. Quando descobriram que não eram assombrações mas o ácido benzóico utilizado como conservante das rações o vilão por trás do problema, esse comportamento desapareceu rapidamente. Em 1983, o Professor David Kronfeld especulou que comportamentos peculiares nos animais de estimação podem ser atribuídos aos altos teores de milho nos alimentos processados.

Em 1986 o comportamentalista animal Roger Mugford discursou sobre a agressividade em Golden Retrievers em um simpósio da Waltham (fabricante da Pedigree, entre outras rações). Alguns dos cães, apesar de pertencerem a uma raça notória por sua docilidade, haviam inflingido sérios ferimentos a seus donos. Quando Mugford mudou a dieta dos cães para uma alimentação caseira ele observou melhorias dramáticas no comportamento. (Tom Lonsdale)

Hormônios

Tendo trabalhado com medicina veterinária de rebanhos de produção há bastante tempo sei que uma porcentagem significativa dos animais enviados para o abate, e que são considerados impróprios para consumo humano, foram antes extensivamente tratados com fármacos. Uma vez que o tratamento tenha falhado, estes animais são processados em busca de qualquer valor monetário que possam gerar como alimento – até como ração. Os cães e gatos reciclados de hospitais veterinários ou abrigos podem conter altos níveis de antibióticos e várias outras drogas, ou talvez a própria solução utilizada para realizar a eutanásia. A maioria desses fármacos acaba aparecendo na comida.

A partir de sua experiência como veterinário e inspetor federal de carnes, P.F. McGargle, DVM, concluiu que alimentar animais com restos dos abatedouros aumenta as chances de desenvolvimento de câncer e de outras doenças degenerativas. Tais restos podem incluir carne embolorada, rançosa, estragada, além de tecidos repletos de câncer. Podem também conter hormônios em doses tão altas quanto aquelas empregadas para produzir tumores em animais de laboratório. O Dr. McGargle atribuiu esses teores elevados a duas causas: hormônios sintéticos rotineiramente oferecidos a animais de produção para estimular o rápido crescimento, e à farinha de carne, freqüentemente produzida com resíduos glandulares e tecidos fetais de vacas prenhes. Ambos são naturalmente abundantes em hormônios.

Quando esse material é processado, mesmo em altas temperaturas, os hormônios permanecem ativos. Irônico, não? Que as altas temperaturas destruam os nutrientes, mas preservem as drogas prejudiciais? Altos níveis de hormônios têm efeitos mais severos nos gatos, que são extremamente sensíveis a estas substâncias, mesmo quando estas estão em concentrações bastante baixas. Segundo Debrah Lynn Dadd, advogada e especialista em direitos do consumidor, “Todos os anos cerca de 116.000 mamíferos e aproximadamente 15 milhões de aves são condenados antes do abate. Depois do abate, outros 325.000 carcaças são descartadas e mais de 5.5 milhões de partes principais são rejeitadas por estarem acometidas por doenças. É chocante, mas 140.000 toneladas de frango são condenadas anualmente, geralmente por conterem tumores. Os animais acometidos que não podem ser vendidos para consumo humano são processados e viram…ração de animais.”

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53 comments to Rações Industrializadas para animais de estimação – Por que evitar?

  • Julian

    A Syl entende muito. Podem seguir sem medo :)

  • Rações Industrializadas para animais de estimação – Por que evitar? http://pat.feldman.com.br/?p=6470 Evitar para não matar o seu bichinho!

  • maria cristina

    Olá Pat
    Sinto muito a morte do teu gatinho, tambem perdi uma cachorrinha que adotei do canil da prefeitura, ela ja veio doente, e por mais cuidados que tive com ela, faleceu, doe muitoooooo.
    Por sorte tenho outros 3 cachorros, todos vierom da rua, eu fico com muita pena de todos esses bichinhos largados por ahi, passando fome e frio, so não tenho condições de juntar mais, senão o faria.
    Os meus cachorros aderiram a dieta natural, que eu vi aqui no teu site o link para o site cachorro verde, na hora eu fique horrorizada com o que li, e aquilo foi suficiente para me fazer mudar, eles nunca comeram so ração, mais confesso que por comodidade grande parte da dieta era de ração.
    Mais a partir desse momento, esto foi em abril, mudei completamente, ração nunca mais, eles estão super felizes e saudaveis, não soltam tanto pelo e ficam doidos pulando na hora de receber os ossos!!!
    Para mim ficou mais barato tambem, ja que eles não comiam cualquer ração, so aceitavam das mais caras.
    Emfin vale a pena mudar, para nos valeu muito.
    Abraços

  • Renata

    Parei na parte sobre o reaproveitamento de cães e gatos mortos… mas vou ler o texto com calma depois. Um dos meus gatinhos está adoentado e eu não sei se por causa da idade (15anos) ou por causa da alimentação, já que frequentemente ele tem tido diarréia e vómitos. Não faço idéia de como mudar a alimentação deles… os 2 mais velhos aceitam carnes crua e até frutas, mas a mais novinha só come ração, rejeita qualquer outro tipo de alimento. E já venho pensando nisso ha algum tempo, pois fiquei impressionada ao cheirar uma marca de ração que ofereço aos gatos em forma de petisco (uma pequena qtd ao dia) e ficar nauseada com o odor do sódio, se fosse comida humana e sentisse esse cheiro, jamais comeria, mas é impressionante o qto meus gatos gostam disso…

  • Maria Christina de Sousa

    Sinta-se abraçada por mim pela perda do Nicolaj.
    O site do cachorro verde está fora do ar por tempo indeterminado. Estás sabendo o porque?

  • Olá,
    Iniciei a AN (alimentação natural) aqui em casa há quase 3 meses e já nem lembro mais da existência de ração. Os benefícios imediatos são: é muito mais barato – para alimentar dois gasto a metade do que gastava antes para alimentar só um cão com ração super-premium; fortalece o vínculo com o animal – eles ficam ultra felizes de comer comida mesmo e, no meu caso, diminuiu muito a ‘mendicância’ deles na hora da nossa refeição; fezes reduzidas e com muito menos odor – o que atrai menos moscas também e facilita na higienização do local onde está o pet e… vamos combinar né, Pat? Ninguém vai me convencer de que UM ALIMENTO 100% INDUSTRIALIZADO É MELHOR DO QUE UM 100% NATURAL! Por isso que é com orgulho que digo: MEU CACHORRO COME COMIDA NATURAL E CRUA!!!!!!!

  • Pus o link no blog para este post. Obrigada, Pat!

  • Alessandra

    poxa, sinto muito! Eu tenho duas gatas. Elas comem ração também. Queria saber que ração vc dava para eles. Como ainda não posso usar uma dieta natural, preciso saber o que não dar. Se vc nao quiser passar o nome aqui, pode mandar para o meu email. Te agradeço. abraços

  • sinto muito pelo seu gatinho… :(

    agora fiquei aqui, em pânico… o que dar para a minha gata persa então???? quanto veneno nessa ração!!!

    karenina

  • Karen

    Pat, sinto muitíssimo pela sua perda. Espero que Deus te conforte o coração, não consigo sequer imaginar a sua dor.

    Queria mais informação sobre AN pra gatos e o site http://www.cachorroverde.com.br está fora do ar por tempo indeterminado, vc sabe onde mais posso obter essas informações?

    • Karen e todo mundo que se interessou: o site Cachorro Verde – http://www.cachorroverde.com.br – está fora do ar porque sua criadora e autora da maior parte dos artigos sofreu ameaças da Associação dos Fabricantes de Ração simplesmente por DIVULGAR A VERDADE que eles não querem que apareça.

      Eu tive a sorte de ter guardado alguns dos textos do site no editor de texto do meu computador e agora faço questão de divulgar essas informações, que são super bem fundamentadas e devem ser divulgadas. Agradeço inclusive a todos que ajudarem a divulgar o texto publicado aqui no Crianças na Cozinha. Este texto foi publicado e outros virão, já que a alimentação natural, para bichos e para gente, é prioridade na minha filosofia de vida!

      • Oi Pat
        Faz pouco tempo que acompanho seu blog, e estou achando bárbaro. Eu tenho um gatinho que tb está com problemas renais. Lembro-me de ter visto no Cachorro Verde um post com receitas para gatos com esse tipo de problema, mas agora infelizmente cortaram o nosso acesso (viva a democracia e a liberdade de expressão). Será que vc teria guardado esse post em particular, com as receitas? Se tiver agradeço muito se puder me enviar, ou postar aqui no seu blog. Agora aprendi a copiar tudo o que me interessa em PDF e deixar arquivado no meu computador, inclusive para poder compartilhar com outras pessoas tb caso aconteça um absurdo desses de obrigarem um site a sair do ar.

        • Marilena, que trabalho lindo o teu! Tenho 3 persinhas adotados aqui em casa, um chegou bem maltratado, magro e arisco e hoje é um doce de gato, o mais carinhoso dos gatos!

          O Cachorro verde já voltou ao ar, com alguns cortes, mas está lá. Vou ver se encontro o cardápio e receitas e posto no nosso “Gatos na Cozinha”. Combinei mesmo com a Sylvia de trocarmos artigos. Ela publicará também alguns artigos aqui do Crianças na Cozinha.

  • Bruno Hannud

    Sinto muito pelo seu bichano e por voce. Vou atras da bibliografia que voce indicou e a agradeco novamente pelo seu senso de doacao. Pretendo, sem duvida, tentar introduzir alimentacao natural aos nossos dois gatos e nossa teckel que acabou de dar cria. Vamos tambem pesquisar um pouco sobre alimentacao para peixes, pois temos tambem um aquario de agua salgada de 650 litros.

  • Pat,

    Encontrei essa página aqui da Espanha, que também luta pela comida natural no menu dos bichanos. Existe até uma proposta de dieta, basada na comida natural. Tá em castelhano, mas acho que dá para entender bem:
    http://www.weim.net/sanpan/ACBA/menugatos.htm

    Já é um começo, não?

    Abraço e bom domingo,
    Karenina

  • maria cristina

    Gente para todos os interessados, eu como muitos outros fiquei chateada ao tentar entrar no site cachorro verde e ele estar fora do ar.Por sorte deu tempo de ler muita coisa antes dele sair, por conta disso, comecei a pesquisar na internet e achei um site da Espanha que trata do mesmo asunto com muita clareza, deixo aqui para vocês, esta em espanhol, mais acho que podem usar um tradutor, vale a pena se informar!
    Abraços
    http://www.weim.net/sanpan/ACBA/FAQ.htm

  • Geni de Oliveira Santos

    Pat, lamento muito pela sua perda. Mas, como você mesma disse, o seu bichano estava sofrendo muito. Que ele esteja em paz. Há muito tempo venho observando amigos perdendo seus bichinhos e sempre comentei sobre as rações, mesmo sem ter o conhecimento que acabei de adquirir aqui. Quando eu era criança, tínhamos cães e eles comiam a mesma comida que nós comíamos. Morriam de velhos. Mas são poucas as pessoas que admitem dar comida de panela aos bichinhos. Muito grata pelas informações.

  • Karen

    Para todos os interessados, encontrei no youTube uns videos que mostram a preparação das comidinhas naturais para cães (infelizmete pra gatos não encontrei, mas pelo que entendi é igual, só varia a qtidade), não sei se posso postar aqui o link, mas se vcs digitarem na busca do youTube “alimentação natural gatos” encontrarão esses videos. A minha maior dúvida no momento é qto a disponibilidade da comida, já que ração eles sempre têm disponível e podem comer na hora que quiserem. As carnes devem ser dadas só uma vez ao dia? Se alguém souber, agradeço.

  • Oi Karen,

    Nessa página http://www.weim.net/sanpan/ACBA/menugatos.htm, dizem que as necessidades diárias dos gatos são uns 150g, sempre podendo variar, é claro! Dizem também que pode congelar a comida e oferecer durante o dia, em porções repartidas. Por exemplo, manhã e noite.
    Abraços,
    Karenina

  • Pat muito obrigada por divulgar. Caramba! Como o vil metal realmente destrói a humanidade nos sere humanos. Meus pêsamos pela perda do Nicolaj, já perdi alguns, tenho idéia do que vc está sentindo agora. E esse texto eu vou divulgar também!!!!!

  • julia

    Pat, em abril meu gato sofreu uma grave obstrução urinária, com rompimento da bexiga e quase morreu. Teve de fazer cirurgia de remoção do pênis e agora está ótimo. Dizem que a culpa é (em boa parte) da ração que dávamos, que não era premium. Agora ele só pode comer as do tipo urinary, que são bem caras e tb devem conter elementos maléficos. Soube que existe uma receita de sopa p/ gatos c/ esse diagnóstico, mas não consigo encontrar… Será que alguém conhece?? Obrigada!! meu email: julia_noda@yahoo.com.br

  • Karen

    Karenina obrigada pelas informação. Os últimos dias foram muito difíceis por conta da asma do meu gatinho. Estamos muito preocupados. Ele estava perdendo o apetite e foi o motivo que precisávamos pra mudar a alimentação. Depois que começou a comer carne crua não quer mais saber de ração e felizmente está comendo bem. Hj vou comprar moela e figado. Ainda ão tive coragem de dar nada com osso. Se alguém já ofereceu gostaria de saber como foi e quais cortes vcs compraram. Obrigada.

  • Pat, a comida natural é ainda mais importante para gatos persas ou de outras raças delicadas. Eles são muito, muito mais suscetíveis a doenças (principalmente do trato urinário) que as raças naturais. A seleção genética que se faz para eles terem essa carinha achatadinha deixou-os sensíveis demais.

    E é legal lembrar que nenhuma ração industrializada é lá muito boa, mas quem não quiser dar comida natural deve optar por uma super premium. Elas são bem diferentes dessas de supermercado. Essas sim são pedir pro gato ficar doente… um horror! Uma regra: se a ração é colorida, não presta. Bom, o oposto não é verdadeiro, infelizmente…

  • Billy

    Oi,(Meu site ainda está em formação).
    Minha esposa é a responsável por pequena entidade denominada AEPA – Ass. Educativa de Proteção Animal, cujo foco é a conscientização e a esterilização de animais urbanos como mecanismos para melhorar a qualidade de vida entre bichinhos e seus donos, e de defesa contra extermínios, maus-tratos e abandonos. Percebemos isso em 11 anos de luta nesse contexto. Fazemos palestras, mutirões de castração,
    atendiomento a denúncias, ajudamos proprietários carentes, etc, tudo, quase que exclusivamente por nossa iniciativa, conta e risco.
    Ainda assim temos cerca de 60 cães de rua, saudáveis e felizes, graças a Deus que é quem nos ajuda a cumprir esta missão.
    Adorei sua matéria que vem a corroborar com minhas conclusões referente a máfia das rações, em gênero nº e grau.
    Naturalmente não tenho a sua amplitude cultural mas, foi muito gratificante descobrir que não sou único a imaginar tais atrocidades cometidas em nome do “mais faturamento”.
    Parabéns e obrigado. Já a aderi em meus favoritos e passarei a acompanhar sua matérias referentes.
    Abraxx
    Billy

  • Pat, acabei de escrever um post que fala disso no nosso blog com link pra cá. Você já está conseguindo alimentar seus gatinhos assim? Nem sei por onde começar, hehehe!

  • claudio

    Nossa , fiquei estarrecido com a materia sobre as raçoes para gatos , eu estava dando a cat chow (para gatos filhotes)e a minha gata esta com muita queda de pelo , antes eu dava a royal canin kitten , mais depois que mudei para a cat chow ;E o pelo dela começou a cair muito, e agora eu mudei para a ração sabor e vida , ela nao tem corante , vamos ver se ela melhora , mais se alguem puder me indicar uma ração boa , estou aberto a ideias, a sabor e vida tem uma composiçao parecida com a royal canin , e ela nao tem corante , a cat chow tem muito corante .

    Ps- A cat chow , me foi indicada por uma veterinaria .

  • Eva Cristiane Pereira

    Olá,

    Tenho 3 gatos adotados, 2 deles ainda filhotes. Confesso que gostaria muito de dar uma alimentaçao mais saudável para eles, os 2 machos aceitam frutas e legumes crus mais a Sophia de diferente da ração só milho cozido. Bom eu cheguei a dar para o mais velho a ração natural da Guabi, ele ficou lindo, mas essa ração é muito dificil de achar aqui no RJ aí adotei mais 2 gatos e não tive mais condições de dar uma “Super premium”, voltei a dar a Sabor & Vida que é da mesma empresa e não possui conservantes artificiais. O problema é que Chico não está se adaptando muito bem a ração mais barata.
    Resolvi então buscar uma ração melhor e não tão cara, aí achei a Linha premium da royal canin, mas no site deles não tinha nenhuma referência a “prima pobre” das super preim deles, mandei um e-mail fazendo essa observação, me reponderam que não tem referência no site sobre as rações premium porque eles visam divulgar os novos alimentos da Linha Super Premium.
    Tô pasma com a falta de respeito deles, ou seja se não temos R$ 70,00 para pagar em “apenas” 2 kg de ração não merecemos respeito…
    Me desculpem o desabafo aqui nesse espaço, mas precisava dividir isso com alguém

  • Willians

    Oi Paty! Tenho 2 gatos, o Bichano Francisco (siamês), e a Nega Maria (vira-latinhas), lindos,mas o Bichano sofreu á 2 anos atrás um problema do trato urinário, mas depois de alguns remédios passados pelo veterinário e dieta com a royal canin urinary nunca mais teve problemas. O caso é que a ração encareceu demais, e estou em busca de alguma alimentação paralela de menor custo e mesma eficácia. Achei legal o caso da alimentação natural, amanhã mesmo vou me informar como posso substituir parcialmente a ração pela AN. Fico muito chateado sobre seu gatinho, que era lindo, com certeza virou uma estrelinha muito brilhosa. Muito amor para você e seus outros filhotes!

  • Leandro

    Tenho uma coelha chamada de Fifi.
    Vejo como interessante que todos os sites que tratama respeito do animal “coelho” dizem que devem ser alimentados com ração peletizada e como complemento as verduras e legumes.
    Ja no rotulo das rações esta sempre escrito “serve como complemento alimentar”, e agora qual o complemento na verdade?
    O pior que como tenho um unico coelho e sou obrigado a comprar ração de 5 kilos pois é só o que existe, mesmo bem acondicionada em menos de 40 dias aparecem fungos na ração e tenho que descartala em função das micotoxinas. Mas o pior é que antes dos fungos serem visiveis ao humano com certaza ja estavam se proliferando na ração, e ésta é servida normalmente ao bichinho.
    Gostaria de poder substituir a camida da Fifi por somente legume verduras e frutas, mas ninguem recomenda isso.
    É complicado;

  • RT @PatFeldman: Rações Industrializadas para animais de estimação – Por que evitar? http://bit.ly/aZYGnA

  • RT @maedecachorro: RT @PatFeldman: Rações Industrializadas para animais de estimação – Por que evitar? http://bit.ly/aZYGnA

  • [...] no site da Pat Feldman um post muito interessante sobre a matéria prima utilizada nas rações.  Saiba agora o que  [...]

  • RT @PatFeldman: Rações Industrializadas para animais de estimação – Por que evitar? http://bit.ly/cBCZLL

  • Gabriela

    Sou Nutricionista de Cães e Gatos e formulo várias rações e posso afirmar que não colocamos resíduos de cães e gatos em nossas rações. Também temos coração e tenho 1 gato e 1 cachorro. Gostaria que publicasse informações de nutricionista específicos nesta área, já que informações de revisão de autores que citou já conheço de frente e verso e colocar informações isoladas não leva a lugar nenhum. Espero que publique que existem pessoas sérias neste meio. Estudamos muito para isso e espero que entendam que fazemos ao máximo para que os ingredientes sejam os melhores possíveis. Afinal, tbm temos animais de estimação e amo os meus. Como acontece com a alimentação humana, existe alimentos bons e ruins, cabe a avaliação de todos, e não dizer que todos não prestam.

    • Olá Gabriela,

      O fato de uma ração nos Estados Unidos ter incluído em sua fórmula resíduos de cães e gatos e as rações no Brasil não seguirem essa prática não garante a qualidade absoluta do alimento industrializado. E ainda que existam profissionais preocupados e competentes como você envolvidos nessa indústria, buscando produzir um alimento industrializado de qualidade superior, isso não muda o fato de que a ração não é um alimento compatível com a fisiologia dos cães e muito menos dos gatos. Não muda o fato de estarmos alimentando nossos pets com fórmulas contendo em média 50% de carboidratos – nutriente dispensável para estas espécies e que em tamanha proporção só vai causar obesidade e todas as suas complicações. Nem o fato de estamos alimentando gatos com um produto contendo apenas 10% de umidade, e por conta disso passarmos a considerar que problemas urinários em felinos são inevitáveis. Nem que o alimento que estamos oferecendo aos nossos pets conservado graças à uma infinidade de substâncias químicas, muitas delas proibidas para uso humano por conta de seus efeitos deletérios à saúde. E não muda o fato de que, ainda que os resíduos não sejam de cães e gatos, são resíduos – de bovinos, aves e grãos, majoritariamente. E eu, como proprietária de animais de estimação, posso preferir alimentar meus gatos com ingredientes de qualidade superior.

      A publicação deste texto aqui no blog não se destina a profissionais da área, e sim a proprietários de cães e gatos, que, como eu, passaram a se perguntar se estamos cuidando da saúde deles da melhor forma possível. Também não sei qual é o seu conceito de “pessoas sérias”, já que para mim todos os autores dos textos traduzidos que compõem esse post são pessoas muito sérias, a maioria médicos veterinários muito experientes, um deles até PhD. E fico feliz de saber que você já os conhece. Como é bom ter acesso ao conhecimento, não é mesmo? É justamente isso que estou querendo fazer ao publicar este texto: permitir a mais donos de bichos de estimação o acesso a essas mesmas informações.

      E sabe o que mais? Concordo quando você diz que existem alimentos bons e ruins, assim como na alimentação humana. Mas de acordo com meu conhecimento, assim como na alimentação humana, nenhum alimento altamente processado, lotado de aditivos e inadequado para a espécie que vai consumí-lo pode ser bom. Acredito que a alimentação de animais de estimação, assim como a humana, deve ser composta por ingredientes da máxima qualidade, frescos e naturais, e sempre que possível, feita em casa, por quem os ama de verdade.

      Alguns novos textos interessantes sobre essa questão da ração seca versus alimentos naturais ou alimentos comerciais úmidos para pets – escritos por pesquisadores renomados:

      Evolutionary Nutrition for the Cat – http://petnerships.com/resources/EvolutionaryNutritionCats.pdf
      The Carnivore Connection to Nutrition in Cats – http://www.catinfo.org/zorans_article.pdf
      Cat Nutrition – http://www.catnutrition.org/openletter.php
      Feline Nutrition – http://maxshouse.com/feline_nutrition.htm
      O Cão é Carnívoro ou Onívoro? – http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=549845&tid=2598693913333842330&kw=fl%C3%A1via+carboidratos

  • patricia

    A 3 DIAS PERDI MEU GATINHO POR CAUSA DE UMA OBSTRUSAO NAS VIAS URINARIA DEVIDO AO SAL DA RAÇAO.AINDA TENHO 4 GATO ADULTOS E 3 FILHOTES ESTOU COM MEDO DE DAR RAÇAO PARA ELES, AGORA QUE LI ESSE TEXTO FIQUEI COM MAIS MEDO . VI O SOFRIMENTO DELE ,MIAVA DE DOR ,SUA BEXIGA FOI FICANDO COMO PEDRA ,LEVEI NO VETERINARIO, ELA DESOBSTRUIU O CANAL DA URINA MAS 2 DIAS DEPOIS ELE MORREU ,PRECISO DE OUTRO TIPO DE ALIMENTAÇAO ,NAO QUERO PASSAR POR ESSE SOFRIMENTO NOVAMENTE.

  • Lia

    Vamos com calma minha gente! Nem tanto ao céu…nem tanto à terra.
    A dieta Barf não é a sétima maravilha do mundo, na medida em que não é aceita por “todos” os gatos. A ração comercial, também não é nenhuma perfeição, mas é um mal necessário. O que devemos fazer então? Oferecer uma alimentação mista, com ração de ótima qualidade (a melhor que o seu dinheiro puder comprar) e carne, frango, fígado, peixe, sardinha e leite (para os gatos que digerem bem a lactose). Assim os nossos gatinhos ficarão bem alimentados e terão vida longa. Tenho cinco gatos e só dois comem carne crua. Apenas um gato bebe leite e adora. Uma gatinha só aceita peixe. O último só come carne de boi cozida. Viram só, como fica dificil abrir mão da ração? Apesar dos meus gatos terem sido sempre alimentados com ração comercial, nunca tiveram cálculo urinário, nem nenhuma outra doença (tenho gatos com mais de dez anos). Eles sempre comeram ração superpremium, que são rodiziadas, dentre três marcas, para que se faltar algum nutriente em alguma ração, a outra suprirá. Bem, a minha sugestão é que forneçam ração de boa qualidade à vontade e uma vez por dia a proteina animal que o gato prefira. Mas, atenção: nada de latinhas ou sachês. Tem que ser carninha feita em casa ou como faço com dois dos meus gatos, direto do açougue para o pote.

    • Lia, eu pensava igualzinho a você,inclusive pensava assim na época em que publiquei este artigo (que não é da minha autoria). Atualmente tenho 4 gatinhos persas em casa. Já perdi outros 4, todos prematuramente, com problemas renais agudos e doloridos demais, para eles e para mim.

      Coloquei a comodidade de lado e atualmente estamos vivendo aqui em casa um período de adaptação, que sai da zona de conforto das rações secas e industrializadas e vai em direção a uma dieta mais natural, variada e completa. Uma das minhas gatas era “junk” total, só queria saber de ração seca e era capaz de fazer greve de fome se eu oferecesse outra coisa. Hoje é a primeira a chegar quando sirvo o potinho de comida, que atualmente contém alguma carne crua ou cozida (normalmente crua), e um punhadinho de ração úmida, que ainda é necessária para aguçar o paladar da turminha.

      Estamos indo bem por aqui! Todos andam aceitando a nova alimentação cada vez melhor e todos já mostram os resultados disso: andam mais alegres, a pelagem nunca esteve tão linda e mais do que nunca eu ganho “beijos-lambida” super carinhosos de todos!!

      PS.: Por conta de uma alergia numa das minhas gatas, conversei com meu vet sobre a possibilidade de uma dieta mais natural para a turma. Ele é um baita especialista em felinos, e confesso que fui “cheia de dedos” conversar com ele, já que não sabia o que ele pensava sobre dietas naturais. Ele foi de um bom senso absurdo, me contou que realmente as rações industrializadas trouxeram muitas vantagens… para os donos, porque são muito práticas, mas que os pets pagam um preço alto por elas. Me apoiou na empreitada de introduzir uma alimentação mais natural, mas concordamos num ponto: não é pra qualquer um, porque tem gente que só ocme lixo e acha que dieta natural de bichos é comer o que a gente comer, lixo ou não. Nesse caso, lixo por lixo, que se coma algo minimamente mais adequado ao organismo do animal: ração, e a melhor que seu dinheiro puder comprar.

  • Eva Cristiane Pereira

    Lia,

    Andei lendo sobre alimentação natural X alimentação industrializada, tanto os artigos publicados pela Pat, quanto em outros sites e comunidades no orkut, se entendi bem oferecer uma alimentação mista acaba por desbalancear ambas as alimentações… eu ainda não consegui mudar a alimentação dos meus gatos e da cadela para alimentação natural, não por comodidade, mas porque teria que comprar um freezer e no momento não posso arcar com essa despesa.
    Então as vezes ofereço peito de frango ou atum para eles como petisco e não como parte da alimentação deles.

  • Lia

    Pat:
    Eu concordo com você, que uma alimentação natural, tanto para pets, como para humanos é o ideal. Se eu tivesse cães, ao invés de gatos, jamais forneceria rações comerciais para eles. Mas, quando se trata de gatos, “o buraco é mais embaixo”. No caso específico dos meus, eu teria que cozinhar um tipo de carne diferente para os cinco, o que é totalmente inviável. Antigamente os gatos viviam soltos e portanto, caçavam. A ração caseira oferecida era geralmente arroz com peixe ou carne (cozidos). Eles catavam a carne e rejeitavam o arroz, porisso, eram taxados de enjoados e exigentes. Outra coisa, não são todos os gatos que aceitam carne crua. Dos meus cinco, só dois aceitam. Eu adoraria trazer a comida dos meus gatos, direto do açougue para o potinho, tanto que faço sempre isso com os dois. Porém, os outros três não se interessam por carne crua (nem cheiram) e teriam uma lipidose hepática, se fizesse queda de braço com eles (tenho gatos idosos). Qual a solução? Enriquecer um pouco a dieta “desvitalizada” dos nossos gatos, com o que eles gostam de comer. Aqui em casa a única unanimidade é atum em água e sal, que não dou com frequência por causa da quantidade de sódio e do mercúrio. Quanto à incidência de cálculo urinário em gatos que comem ração comercial, eu discordo que seja ela a causadora. Porém, está comprovado, que rações “inferiores” causam cálculo, devido ao desequilíbro do magnésio. Os meus gatos nunca comeram ração de má qualidade, no máximo uma premium, e por curto prazo de tempo.
    Outra coisa, os gatos, por instinto, se alimentam várias vezes durante o dia e à noite, para manter o PH ótimo da urina. Como deixar alimento úmido à disposição 24 horas? Impossível, né? Resumo da ópera, no exato momento em que prendemos os nossos gatinhos dentro de casa e o impedimos de caçar, nós os condenamos à alimentação comercial. Ainda bem que hoje existem rações de boa qualidade disponíveis no mercado. Uma vez, quando morava nos EUA, eu vi um gatinho escalando a rede de proteção da varanda, com a energia de um filhotinho. Advinha a idade dele? VINTE E CINCO anos e sempre fora alimentado com ração comercial. Porisso sou contra qualquer radicalismo.

  • Lia

    Eva:

    Uma porção de carne pequena, uma vez ao dia, não desequilibra a alimentação dos gatinhos. No meu caso, a ração é a alimentação principal.

  • Eva Cristiane Pereira

    Os meus ficam doidos quando ganham algum petisco… ha uns meses atrás a cadela teve um problema de saúde e precisou tomar antibióticos por 21 dias, aí eu dava os comprimidos dentro de uma bola de frango desfiado… os danados dos gatos ficavam sempre atentospara ganhar uns fiapos… rsrsrs era muito engraçado

  • Eva

    Eva:

    O pulo do gato (sem trocadilho), é descobrir a proteína animal (crua ou cozida), da qual o gato mais gosta e oferecer SEMPRE, “em dias alternados”. Assim, a alimentação dos seus gatinhos, não ficará desbalanceada. A ração, tem que ser escolhida como se escolhe uma jóia, dando-se total preferência para a que oferece a melhor proteção para o trato urinário do gato. Eu tenho duas, que rodizio, a cada três meses. No mais, os meus fofuchos comem frango, carne, peixe, atum, sardinha, iogurte e leite. Eles nunca ficaram doentes e a única vez que a minha gata mais velha adoeceu, foi por causa de um sachê da Whiskas, que quase a matou. Depois disso, fiquei radical: ração úmida…só feita em casa.
    Eu moro em apto e todo inseto que entra pela janela, é degustado pelos gatos.

    • Eva Cristiane Pereira

      Ih só consegui identificar uma dessas, estou tentando falar com o veterinário deles para falar sobre um possível rodizio de rações, mas ainda não consegui…

      Queria o teu e-mail para a gente trocar figurinhas, pq acho que estamos descaracterizando o tópico rs evacristiane@gmail.com

  • Eva Cristiane Pereira

    July

    Eu nunca fiz rodizio com a ração deles… estão comendo desde novembro a E******a, mas queria mudar um pouco, essa ração eu compro o saco de 15 kg, dura 3 meses, e custa R$ 197,00 tenho 3 gatos e o custo benefício é bom, no momento não posso ter um gasto com ração superior ao que eu já tenho, pensei até em rodiziar com a premium da R***l C***n, mas tenho medo que eles percam peso ou fiquem com o pelos feios.

  • Lia

    Eva:

    Eu rodizio as rações dos meus gatos, seguindo o conselho de um vet muito experiente. Ele afirma que, como nenhuma ração é perfeita, a longo prazo, os gatinhos podem vir a ter alguma deficiência. Ao rodiziar as rações, esse risco diminui. Mas, o rodízio tem que ser entre rações de fabricantes diferentes. Eu não trocaria a ração dos seus gatinhos, pela Premium da RC. As rações premium, não tem controle de PH urinário (principalmente esta). Como a preocupação maior é evitar o cálculo urinário, eu só confio em duas, que começam com a letra P.

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