Alimentação saudável: desabafo de uma mãe (e leitora)…

by Pat Feldman on 01/05/2011 · 56 comments

in Alimentação, AMIGOS, ARTIGOS, Leitores do Crianças na Cozinha

junkfoodÉ incrível a força do marketing da indústria alimentícia. Hoje em dia ser criança, ser feliz, virou sinônimo de comer doces, balas, chocolates e pirulitos. Criança que não come dessas coisas, segundo a “sabedoria moderna” simplesmente não pode ser feliz, não tem infância, não é criança de verdade.

Quanta ilusão!!

Eu vejo meu filho se deliciando e se lambuzando com bananas, uvas,maçãs, kiwis, arroz, feijão, ovos, carne e sempre feliz da vida. Ele brinca tanto quanto qualquer outra criança, ou até mais – sei lá, também não fico medindo, mas ele está nitidamente feliz e sendo criança DE VERDADE.           

Mas confesso que às vezes me sinto solitária nesta alegria de comer uma fruta, de gostar de verduras, carnes e ovos. Iogurte então! Se não for “danoninhos” ou similares (que nem iogurte são de verdade), não se fala no assunto. Puro? Sem açúcar? O melhor comentário que conseguem fazer é: “-Coitadinho………….”

Hoje descobri que não estou sozinha. A Sandra tem uma filhota que não é muito chegada em porcarias, simplesmente porque não foi acostumada a elas, porque seus pais não gostam, não compram e não oferecem. Seus pais, e ela por consequência, se deliciam com gostosuras que não aparecem em propagandas de TV e revista, que não dão lucro e que não são “de grife”. Ela escreveu um desabafo que eu achei tão legal, que pedi a ela para publicar aqui no Crianças na Cozinha. Ela autorizou a publicação, e aí vai:

Meninas e meninos… me desculpem, mas eu precisava lhes contar…

A Carol estava inquieta no consultório, pulando de um lado para outro. Ora subia na escadinha que dava para a maca, ora na balança barulhenta, que quebrava de tempos em tempos a frágil concentração que eu tentava dispensar às palavras da competente especialista, que parecia não se importar com o comportamento da pequena.

Dentro de mim, um conflito: brigar toda hora com a filha, que fazia do consultório um playground e interromper a médica, ou assimilar aquela sabedoria quase infinita que tanto venero que se verbalizava avidamente sem paragens, como se ela estivesse distante daquele momento de descontração da Carol.

(Deixe-nos chegar em casa que você vai ver só, sua pirralha. )

No meio do caminho tinha uma pedra, já dizia o maravilhoso Drummond. Meu cérebro deu uma parada repentina quando senti uma pedra daquelas se pôs a brotar em meu árido caminho. Esqueci da Carol, do pula-pula que realizava sobre o chão duro, das perguntas que teria que fazer, etc…

Alguém trouxera em seu carrinho de feira alguns comentários acerca de atitudes minhas com relação a pequena: o santo lanche de cada dia.

Chegara aos ouvidos da atenciosa pediatra que eu exagerava no lanche e mandava cenouras, tomates… quem sabe uma salada completa. O tom da profissionalíssima doutora foi um chamado: a Carol precisava ser criança.(!) Eu tinha de deixá-la ser criança.

Disparou-se uma silenciosa indignação. Primeiramente, inconsciente: quem matou Odete Roitmann? Enquanto isso, a pequena subia até o último degrau da escadinha e pulava feliz. Seu sorriso vinha de orelha em orelha…

-A Carol nem gosta de cenoura. – repliquei silenciosa sem deixar as palavras chegarem à boca. A Carol gosta muito de tomate-cereja, Dra… que é uma fruta… rs. Mas qual é o problema de cultivar uma alimentação legal?
Sandra, então, pelo menos uma vez por semana, deixe-a comer alguma coisa diferente… (salgadinho, refrigerante, pirulitos…).

(Eu não ofereço, mas se ela pede, eu dou.)

– Mas ela come chocolate, chupa pirulitos que o farmacêutico dá a ela todas as vezes que vamos lá… não toma refrigerante porque não gosta, talvez, porque eu não goste e não ofereça…

Ela leva, sim, frutas à mão cheia, porque gosta, porque me vê comer. Palitos e biscoitos com fibras, sucos… brócolis e couve-flor, que nunca mandei de lanche, rs, ela ADORA.

Aprendi fazer um maravilhoso bolo de banana com aveia, gérmen de trigo, linhaça… que ela já pediu hoje. Em que mais estou pecando? – resmunguei em silêncio.

Em suma, achei que não devia polemizar a situação. Adoro a pediatra dela.

A Carol é super-saudável, inteligente, sapeca. Seu único problema é a genética: ela é alérgica bilateral: de pai e mãe (maneira leve de dizer que ela ‘herdou’ a alergia respiratória de pai e mãe).

Será esta possível inversão de valores resultante do aquecimento global, rs? Ou o resultado de uma obra alienante originada pela cultura de massa (o “diferente” é sempre errado, marginalizado)? Fui da geração coca-cola e estou fora. Que mal há em buscar uma visão diferente se não estou ferindo ninguém? Minha filha se espelha em mim e me pede o que como, ponto final. Por que tenho que lhe oferecer calorias vazias se ela não me pede? Por que ela esconderia seu lado criança se não tomar coca-cola, chupar balas e comer salgadinhos? Ela é sapeca, sorridente… sai pelas ruas a pular (e eu vou junto) e a cantar (somos péssimas cantoras,rs).

Já fui motivo de piada devido aos tomatinhos… Outras crianças acabam comendo também, na troca de lanche. As escolas deveriam incentivar a boa alimentação entre seus ‘rebanhos’. Fazê-los desaprender, ‘desaliená-los’ dessa visão avessa que construímos do ‘tem que ser igual’… da robotização dos seres, cujas almas adormecem no limbo da ignorância.

Enquanto isso, a Carol rói feliz dois biscoitos de linhaça com gergelim: coloca nomes em cada um deles, dá vida aos seus personagens e vai comendo-os lentamente, aproveitando seu tempo de criança sem deixar sua pureza ser corrompida pela necessidade de robotização do pensamento humano… Por outro lado, escuto suspiros cegos de comoção: como pode uma criança comer tantas coisas saudáveis e ainda ser feliz?

OBS: não estou aqui criticando por tabela que possui outra visão… só quis vomitar minha indignação silenciosa…

E para as mamães que, como a Sandra e eu, preferem optar por uma alimentação livre de industrializados, um recadinho…

E não se esqueçam! A partir de abril se iniciam as aulas de culinária CRIANÇAS NA COZINHA!!!

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{ 47 comments }

Dr. Alexandre Feldman April 2, 2009 at 22:17

Pois é: existe uma “cultura”, divulgada pelos meios de comunicação em massa e patrocinada pela indústria alimentícia e farmacêutica, ditando a noção absolutamente falsa de que “felicidade = Coca-Cola”, “Felicidade = Brigadeiro”, e portanto ocasiões felizes e marcantes (como aniversários) devem ser celebradas com essa verdadeira cornucópia de aromatizantes, adoçantes, emulsificantes, corantes, estabilizantes, umectantes, antiumectantes, açúcar, farinha, glutamato monossódico, amido, xarope de frutose, gordura vegetal hidrogenada, óleo vegetal, margarina interesterificada e toda a série de ingredientes “reconstituídos”, desvitalizados e comprovadamente tóxicos, que constituem esses venenos.

Essa “cultura” atinge também os médicos, nutricionistas e demais profissionais de “saúde” (e suas famílias). Afinal, os congressos e revistas “científicas” de maior impacto (e também os de menor impacto) são descaradamente patrocinados pelas indústrias farmacêutica e alimentícia.

Acredito que existe uma confluência de interesses econômicos em nos convencer a adotar um estilo de vida de modo a “movimentar” o quanto mais essas indústrias. Nós vamos adotando esse estilo de vida desde cedo por força unicamente de ações de marketing e, aos poucos, vamos perdendo a saúde, a beleza, a vitalidade, o raciocínio, o intelecto, o bom humor, o poder de questionamento. Sem saúde, passamos a “consumir” cada vez mais docilmente, sem questionamentos, os “produtos” oferecidos pela “indústria da saúde”: drogas, “suplementos”, cirurgias, injeções, exames os mais variados, hospitais (também chamados, curiosamente, de “casas de saúde”!!) e consultórios.

A leitora acima é uma rara exceção, assim como são outras mães-leitoras cuja presença se concentra neste site. Pelo seu relato é possível imaginar a dificuldade, e também a firmeza, em seu objetivo e sonho de dar à seus filhos o maior presente, a mais preciosa herança que uma mãe, em todo seu amor, pode dar: o dom da saúde radiante, do raciocínio claro, da felicidade e da mais robusta resistência às doenças.

Tenham certeza de que, nas próximas décadas, o “mundo do faz-de-conta”, fomentado pela indústria, será desmascarado e dará lugar à ciência honesta, ao conhecimento, à sabedoria e à percepção cada vez maior da alimentação como fonte da saúde, juventude, bom humor e vitalidade. Tenham certeza de que algum dia, no distante futuro, onde quer que vocês estejam, vocês ouvirão de suas filhas e filhos, um emocionado e sincero MUITO OBRIGADO.

Jovânia Baltazar May 2, 2011 at 16:06

Adorei! Tenho a mesma esperança…

Josi April 3, 2009 at 0:36

Sou professora e nutricionista.
Desenvolvo trabalho de educação nutricional em minha sala com crianças de 4 e 5 anos e em uma escolinha também.
Estimulo o consumo de frutas e de lanches saudáveis e não insustrializados.
Ao final do primeiro bimestre de aula, praticamente todas as crinaças trazem uma fruta para o lanche e os acompanhamentos se tornam melhores.
Aqui na escola, conseguimos mudar bastante, diminuir a frequencia de danoninhos, iogurtes com crispis coloridos, chocolates e refrigerantes. Em festas de aniversário temos os refrigerantes e sucos pois muitas crianças não consomem refrigerantes.
Oq ue ainda me incomoda muito, são os lanchinhos fáceis, bolinho ana maria e club social.
Sempre dou uma olhadinha aqui para ver as receitas e dicas nutricionias e concordo com a Pat e a Sandra sobre a crendice que açúcar, salgadinhos e guloseimas trazem felicidade as crianças.
Felicidade esta em estrutura e segurança familiar. Em escolhas saudáveis , em laços afetivos fortes em tempo de qualidade em família.
É lógico que uma boa alimentação ajuda a criança a ser mais alerta, esperta e tranquila em sala. E tranquila na minha opinião não é a criança parada, passiva, mas sim que é curiosa, brincalhona, divertida sempre respeitando sua personalidade e a dos demais.
Em minha reunião de pais eles me perguntaram sobre o dia da guloseima, se teria um dia liberado pra isso. O que eu respondi? Não, pois não acho que a gente tenha que ter um dia tão importante pra isso, como se os demais dias fossem tão horríveis que precisamos separar um dia especial pra guloseima.
Quero ensinar as crianças que se elas quiserem trazer os alimentos “porcarias” pra escola tudo bem, mas que isso não seja rotina, não faça parte integrante da dieta alimentar.
Também sempre falo para os pais, as crianças aprendem a fazer escolhas nesta idade. Os critérios para isso aprenderão com o que os pais, professora e escola dão importancia e apregoam valor. Por isso nada como ensinar as crianças que devemos fazer boas escolhas. Escolhas que nos ajudem a ser pessoas melhores e se eu consigo escolher uma fruta, um iogurte natural, um palitinho de fibras para minha alimentação pq isso me torna mais saudável, no futuro poderei evitar drogas, amizades ruins, etc, pois não fazem bem para mim.
Poderia ficar aqui escrevendo mais e discutindo sobre este assunto que me fascina tanto, mas…tenho que ir dormir..rsrsrs
A todas as mães que acompanham aqui, por favor continuem buscando o melhor para seus pimpolhos, como o Dr disse as crianças só agradecerão mais tarde.
Podem brigar hj, mas agradecerão COM CERTEZA.
T+

Pat Feldman April 3, 2009 at 7:22

Parabéns Josi!!! Você é uma profissional rara nos dias de hoje!! Continue seu trabalho e ente em contato comigo, adoraria conversar mai com você!!

Cristiane April 3, 2009 at 8:05

È verdade, quando se diz para outras pessoas que se come iogurte natural, não toma refrigerante, verduras, legumes, etc, muitos te olham como se fosse um alienígena.No meu trabalho, tem café da manhã e em quanto todos estao comendo pao, mortadela e presunto com requeijã, geléias, café, leite e achocolatado eu trago minha banana para comer com granola e sinto que me olham como seu eu fosse um ser estranho….Mas sigo na minha convicção se saúde e qualidade de vida, graças a vocês dois Dr. Alexandre e Pat.Muito obrigada aos dois, minhas agora raras crises de enxaqueca agradecem.

Denise Mourão April 3, 2009 at 10:02

Gostaria de aproveitar o espaço e compartilhar a minha “angustia” de mãe de crianças que já gostam muito de “porcarias” (refrigerante, doces, ….). Sou nutricionista, porém digo que “comecei a aprender nutrição de fato”, revendo mtos conceitos equivocados do ambiente acadêmico, e lendo mta literatura de alta qualidade científica recomendada pelo Dr. Feldman, e de dicas culinárias da Pat. Desde que mas minhas pequenas nasceram (Clara de 4,5 e Julia de 3 anos) nos já tínhamos um padrão alimentar bem melhor do que a grande maioria, com mtas frutas e verduras diariamente. Elas inclusive já aprenderam a comer rúcula depois ajudaram o pai a planta, regar, e colher na nossa própria hortinha (isso desperta mto a curiosidade para experimentar novos alimentos). Porém, infelizmente, elas foram muito pequenas para a escola (minha mais velha foi com 3 meses, e a mais nova com 2 anos)… Apesar de não dispensarem um prato de salada após o almoço e o jantar, adora as porcarias que a grande maioria das crianças e hoje consomem. Em casa não temos estes “falsos alimentos”, porém, na escola delas têm aniversários quase que semanalmente, e elas ficam “louquinha” nestes dias, e consomem estas porcarias em grandes quantidades…. Outro dia fiquei mto feliz em um aniversário que estava com elas qdo a Julia ficou mto brava pq queria pipoca, e a única que ofereciam era aquela de “isopor”… ela esbravejava e dizia “ isso não é pipoca”… pois em casa as vezes fazemos (1 vez por mês ou a cada 45 dias rsssss…) a pipoca tradicional, porem preparada com óleo de coco ou um pouco de manteiga Bom, a mais ou menos 1 ano e meio consegui enxergar que estava sendo mto rígida com relação a alimentação delas, pois eu chegava a proibir doce lá em casa. Foi quando descobri que “filhos de nutricionistas” também são um grupo de risco para desenvolvimento de distúrbios alimentares. Hoje busco chegar em um equilíbrio, vou para a cozinha com elas aos domingos para prepararmos biscoitos, bolos, e outra coisas que elas apreciam, porém com ingredientes saudáveis (mascavo, farinha integral, cacau…). Elas sempre se deliciam das preparações que fazemos e acabam levando de lanche depois para a escola, além das frutas. Porém ainda sofro mto em ver como elas adoram as porcarias das festinhas de aniversário e as vezes comem “compulsivamente” essas porcarias… Alguém tem algumas dicas para me auxiliar neste caminho de busca de um equilíbrio ???

Pat Feldman April 3, 2009 at 11:32

Denise, eu acho que você já está no caminho certo, mas talvez uma reunião na escola das tuas filhas – principalmente você sendo nutricionista (sabemos o quanto um título oficial é necessário em certos momentos) – sugerindo melhorias, atividades relacionadas com alimentação livre de industrializados, etc, possa ajudar a mudar um pouco esse panorama todo.

Em casa você já está fazendo um excelente trabalho, parabéns!

Célia Cristina April 3, 2009 at 10:08

Pat, essa é uma das maiores dificuldades que estou tendo no meu dia a dia: o lanche das crianças, pois em casa
agente ensina e incentiva as crianças a comerem coisas saudáveis, eu por exemplo mando na lancheira frutas, sucos naturais, lanchinhos que eu mesma faço, enfim, na medida do possível, tento dar aos meus filhos alimentos saldáveis evitando ao máximo os alimentos industrializados, mas, aí vem os colegas na escola com salgadinhos, biscoitos, refrigerante, enfim, só porcarias, e não só comem, como oferecem para os meus filhos, e o pior é que eles aceitam e depois chegam em casa e me perguntam por que eles não podem levar essas “guloseimas” que prefiro chamar de porcarias, eles dizem que a maioria dos colegas podem, porquê eles não?
Tento explicar a importância de alimentos saldáveis, tento explicar o quanto essas porcarias fazem mal para a saúde, mas é muito difícil, agente precisa lutar contra as propagandas e publicidades que só insentivam o que não presta, temos que bater de frente com insentivos dos colegas que só levam porcarias, fora que a lanchonete que tem dentro da escola do meu filho, só tem porcarias, meu filho de 10 anos me pede para lanchar na escola, eu digo que não, pois lá só tem porcarias, então ele me diz: Só eu não posso lanchar na escola, todos os meus amigos podem…
Eu sempre falo que as mães dos amigos dele, não se preocupam com a saúde dos filhos como eu, ou por que não tem tempo de fazer algo mais saudável,enfim, mas os meus argumentos, por melhores que sejam não o convencem. É muito difícil, mas eu não vou desistir. Tenho seguido muitas dicas suas e do Dr. Alexandre e agradeço a Deus por que vocês me ensinam tanto. Parabéns pelo trabalho! BJS…

Jovânia Baltazar May 2, 2011 at 17:16

Célia, fico no mesmo problema que você, com o meu filho. Mas procuro não ser tão radical, pois acho que tudo que é muito proibido acaba chamando mais atenção. Queria muito que ele só comece coisas saudáveis, mas não quero que isso seja um tormento pra ele. Quero que ele goste, saboreie e sinta prazer em comer as coisas saudáveis. Pra isso prefiro incentivar, oferecer e comer junto sempre o que é saudável, mas sem com isso, proibir o que não é. Beijos.

Julia Matos May 3, 2011 at 0:29

“Eu sempre falo que as mães dos amigos dele, não se preocupam com a saúde dos filhos como eu”. Célia, vc não deveria falar isto afinal vc não sabe o que se passa dentro da casa das pessoas. Faça a sua parte com seu filho mas sem críticas e sem julgamentos.

Claryana April 3, 2009 at 10:13

Olá a todos, não tenho filhos (pelo menos ainda), mas sigo uma alimentação saudável e “diferente” de todos os meus amigos e conhecidos. E muitas e muitas vezes me senti “uma estranha no ninho” quando fazemos alguma confraternizão, pois é sempre a mesma coisa: “Você não bebe? Não quer um pãozinho? Um pedaço de bolo? Pegue um salgadinho” E para evitar maiores falatórios: “Não, obrigada, eu não gosto. Já comi em casa…” As vezes é muito difícil, mas sigo firme, e saber que tem pessoas que pensam como eu (nós aqui do site…) me incentiva cada vez mais. Como sou jovem (23 aninhos rsrs), sempre me acham meio careta com essas coisas, e também muitas vezes acham que não sou feliz, que não estou aproveitando minha juventude! Como assim? Só porque não fico bebendo, fumando e comendo batatas fritas, doces? Eu sou muito feliz, e não fico tendo dores e me queixando de vários problemas como muitos amigos meus! Tenho muito energia para estudar, e me divertir! Sou bióloga e faço mestrado na Amazônia e muitas colegas de curso comentam: “Ah a Claryana gasta todo o dinheiro da bolsa dela em frutas” (aí vem as piadinhas sem graça). E eis que respondo (depois te tentar evitar o assunto…):”E vocês gastam com bebidas e remédios. É uma questão de prioridade. Eu escolhi isso”. As pessoas acham que por isso, sou careta e “menos jovem” e menos feliz que elas. Muitas vezes fico calada, e só quando as pessoas vêm realmente com interesse de saber sobre minha alimentação, sem “quatro pedras na mão” eu explico com todo entusiasmo. Já conseguir até convercer um colega meu para utilizar somente manteiga!
Bem é isso, só aproveitei para desabafar um poquinho também…
Obrigada a todos pelos comentários que nós fazem sentir mais entusiasmadas e a Pat e ao Dr. Alexandre pelos ensinamentos.
Abraços

Silvana April 3, 2009 at 12:07

Olá para todos. É muito estimulante qdo a gente percebe que não está sozinha nessa luta contra os venenos industrializados que querem nos empurrar goela abaixo diariamente pela mídia em geral!
Eu com minha bebê de 2 anos já começei minha primeira guerrinha: em casa, qdo meu marido disse que não via a hora de começar a trazer balinhas e chocolates para ela, eu lhe apontei o dedo e disse NADA DISSO, isso são venenos, o sabor é artificial, a cor é artificial fora os químicos que colocam…ele continua tomando refrigerante, e ela olha e diz coca-cola, eu lhe digo, coisas do tipo que não a estimule a ter vontade de experimentar…sei que as crianças por menor que sejam elas aprendem o que vivem e vêem.
Ela ama frutas e verduras, eu ainda arrepio qdo ela quer comer alface, como ainda não tem os dentinhos molares morro de medo que engasge, então dou pedaçinhos minúsculos (alguém tem uma idéia melhor para me dar? rsrs..)Até minhas cunhadas estranham e perguntam…ela gosta de frutas? Mas esse medo e preocupação do que vejo à volta me assusta, nos noticeiros eles falam o que os filhos vão comer em determinadas escolas, e eu não vejo alimentos saudáveis no cardápio..eles servem pizza, hamburguer..MEU DEUS!!! Eu só fico pensando qdo ela for à escola, mas eu imagino que deva ter um lugar que aposte na saúde, embora aqui não acho que se preocupem em sério com isso, se até nos hospitais, antes de trazerem os bebês qdo nascem pra mamãe amamentar eles dão a tal fórmula (de soja) – que fez meu marido criar uma guerra`no hospital no dia seguinte – …hehe….Sei que esse problema alimentar é mundial, mas eu sinto que aqui a luta é maior e as dificuldades de se encontrar alimentos realmente naturais mais dificeis…mesmo assim, sou grata a Pat e seu esposo pelo esforço e dedicação em nos passar seus conhecimentos para nos ajudar. Encontrar esse site foi uma salvação para mim, que já estava resignada e perdendo os hábitos saudáveis que tinha e o prazer de cozinhar!
Afora saber reconhecer contenidos daninos que estão por trás dos industrializados, coisa que se não nos falar os que conhecem, nunca saberemos. Agora sei que nem tudo que está escrito “natual”, se tiver glutamato monosódico por exemplo..leia-se VENENO!!! hehe…WELL…
Seguiremos adiante destemidas e perseverantes nessa luta contra o mal!!! AVANTE!!!

Silvana April 3, 2009 at 12:11

Ah, me esqueci de dizer. Pat eu consegui encontrar as tais patas de vaca e costelas, aqui na BJ´s perto de casa…e fiz o caldo de carne. Delicioso, cheiroso…humm…Já pedi de presente dos meus pais para qdo vierem daqui 1 ou 2 meses uma panela de ferro mineira (acho que a tal de pedra sabão para viagem é muito pesada né…..hehe…).
Obrigada por ensinar!!!!

Cláudia April 3, 2009 at 13:35

Olá Pat, adoro suas dicas e receitas,que aproveito bastante, mas ultimamente, há cerca de 3 semanas, não consigo ler mais nada, porque a letra está incrivelmente miúda, não da pra ver nada. Vc pode ver o que está acontecendo?
Um abraço

Pat Feldman April 3, 2009 at 13:46

Muito estranho, Claudia, porque eu não mudei nenhuma configuração do site… Não será a função “zoom” do teu navegador que está desregulada??

Liana April 3, 2009 at 14:24

Claudia, em geral usar as teclas [control][+] aumenta a letra e [control][-] diminui. Alguem pode ter diminuido sem querer….

Liana April 3, 2009 at 14:30

Eu me identifico muito com essas estórias e é bom saber que não estamos sozinhos…meu filho agora já é maior e gosta de balas, doces, chocolate, refrigerante etc, mas tudo com moderação, é mais uma excessão do que a regra, já que aqui em casa quase nunca tem e ele sabe que essas coisas são pra comer com moderação.
Mas quando ele era pequeno ouvi muito o “coitadinho” quando ficava claro que ele não comia porcarias (coitadinho dos que comem – eu pensava – mas evitava discutir pois não gosto disso). Mas continuei fazendo o que eu achava certo, sem alarde, naturalmente, e hoje em dia todos elogiam como ele come bem e é saudável!
Mas uma coisa é certa, exemplo de casa é essencial. Como não podemos controlar o mundo lá fora, “é de pequenino que se torce o pepino” :)

PatriciaUk April 3, 2009 at 16:06

Eu acredito que vale apena essa ‘luta’ pois tudo eh questao de paladar, do eles crescerem nao vao querer porque simplesmente terao o paladar desenvolvido para coisas boas. Qdo deram um brigadeiro para o meu filho ( sem eu ver) ele simplesmente nao gostou! rsrsrs

Naira April 3, 2009 at 16:36

Que bom saber que exitem outros “estranhos” e “alienígenas” na alimentação e que não são somente meus filhos que são chamados de “coitadinhos” por não comerem normalmente os alimentos industrializados. Acredito estar proporcionando o melhor para eles, ao incentivar as frutas, iogurte natural caseiro, e alimentos integrais.
Qaunto à escola, não tenho problemas com os lanches: busquei uma escola que tivesse a mesma orientação voltada à alimentação mais natural, vinculada à pedagogia Waldorf. Estou muito feliz porque, pelo menos na escola, eles não são chamados de “coitadinhos” e ninguém estranha quando mando de lanche cenouras, tomatinhos, passas, castanhas, abacates… Obrigada Pat, por nos proporcionar informações que nos trazem bem-estar.

Marcia H April 3, 2009 at 16:51

kkkk eu sou uma ET assumida rsrsrs qd meu sogro disse que queria levar minha fiha (na época com 18 meses) para tomar sorvete, pois gostaria de agradá-la, eu respondi: ainda é muito cedo, agrade-a dando um livro, ela irá gostar mais do que qualquer sorvete. Minha sogra depois conversou com ele e ele entendeu. Agora que ele descobriu que a neta gosta dele mesmo sem doces e sorvetes, ele está feliz da vida. E eu aliviada.

Eline Coragem April 3, 2009 at 19:55

Sempre leio esse blog e hoje resolvi me manifestar, me achava (ou melhor acham meu filho) um “excluído”… Porque? Porque nas férias fomos para SP (somos de lá mas, moramos em Recife) passar o fim de ano com a família e meu tormento começou!Não antes pois ele era”bebê” mas, com 3 anos recém completados eu pdia “liberar tudo”.

Logo que chegamos no aeroporto fomos na casa de minha avó, almoçar, e eu pedi a ela uma macarronada (ela é italianíssima), com aquele molho de tomate natural que somente ela sabe fazer, além disso tinha um frango assado, saladinha e “batatas fritas para o Gian Lucca”. Fiz o prato dele e coloquei um pouco de cada, exceto as batatas que ela se encarregou de deixar a travessa ao lado do prato dele. Ele começou pela salada, devorou, o macarrão e o frango vieram depois. E a batata que eu fiz pra você meu bisneto? ” sabe vó, ele não émuito chegado,mas eu realmente não dispenso (e roubando btatinhas) estou comendo somente quando aparecem assim “de graça” na minha frente…
Primeira visita frustrada, a bisa falando que ele não gostou da comida dela….E pra finalizar, preferiu um mação ao invés da gelatina de morango!

Bom, dias depois fomos sair com outra avó (minha sogra), mais a minha cunhada e os filhos (12 e 6 anos). Fomos a um restaurante meio mineiro… Pedi para nós um prato de salada, arroz, feijão, peito de frango grelhado e batatas fritas, os demais pediram a mesma coisa com outro tipo de carne, porco ou picanha.
Ao chegar a comida na mesa a briga foi entre as 2 crianças pela travessa de batata, logo entreguei a nossa a eles, que a mãe me devolveu e disse que era de GL. Durante esse conflito vejo meu sobrinho falando um ÉEEEEEca bem grande, quando olho, GL está devorando cebolas cruas raladinhas (lembravam macarrão), e tomate, com a mão, direto da travessa (nem deu tempo de botar no prato!) Bom, o restante do dia o chamamos de cebolitos pois o bafo foi complicado mas, saiu de lá novamente se tocar nas batatas fritas…
No Natal, ganhou além de tods os presentes conterem um pirulito, um saco deles.

Diante dessas situações, eu sou a dita como a que priva ele de comer coisas gostosas, no fim do ano, diariamente ele ganhava diversas guloseimas de todos que o viam, exeto minha mãe que é como eu, e sabe como meu filho é.

Não costumo ter em casa essas besteiras, mas, se vamos na padaria e ele pede eu dou, somente nos finais de semana, e ele me pede um batom (chocolate), ou bala de goma!

E, o pior de tudo, se o menino tem cáries depois, eu que não escovei o dente dele!

Fico muito feliz de saber que existem mais crianças “anormais” como meu filho!

Olivian April 4, 2009 at 14:00

Não acredito, estou muuuuuuuuuuuuuuuuuito feliz!!!! Encontrei pessoas que passam pelo o q passo apenas por ter um filho saudável e que gosta de ser saudável!!! João vai fazer 4 anos daqui 2 meses e ODEIA porcarias! Segundo ele, ele optou por ser saudável! Ele nunca comeu bala, chiclete nem tomou refrigerante. Ele come verduras, legumes, peixes, cereais..enfim, coisas q nós adultos comemos. As pessoas acham q o proibo de comer ou ainda q não o deixo ser feliz. Tem gente q diz q eu o crio numa bolha…e algumas acham ridículo ele saber os nomes dos cogumelos…tem adulto q nao sabe o q é cogumelo- de- paris…ele tenta convencer a avó e a tia a não tomarem refrigerante, por não ser saudável…a escola dele tb preza por uma boa alimentação e o lanche é único. Sempre uma fruta, um suco sem açucar e um farináceo…nas reunioes fico toda orgulhosa dele comer tudo e nao ligar mto pros farináceos!!O mais bacana é a saúde dele, resfriado dura 2 dias…nunca tem nada! Vale muito a pena!!! Deixe q falem que somos RADICAIS, EXTREMISTAS, SHIITAS e afins….eu nem ligo!!!!Sei da felicidade dele diante do seu pratinho de ovas de salmão, ou devorando seu temaki…com shoyo light, hahahaha!

sandra April 5, 2012 at 12:59

Ola boa tarde quero fazer parte tbem de td isso de “COMIDA SAUDAVEL NA MESA DE NOSSA FAMILIA”.Eu tbem fico de briga o tempo tdo com alguns tios meus….que acham q a criança tem q ser feliz e dao td o que é porcaria p elas.Uma noite assisti uma cena…meu primo tem 2 filhos que foram passar uns dias c aminha tia avo deles na casa da minha mae onde eu estava de ferias,os 2 foram dormir com um copo de refrigerante do lado da cama e com um prato cheio de bolacha recheada.Fiquei estarrecida qndo vi essa cena e logo falei p a minha tia avo deles,q jamais gostaria q fizesse isso c as minhas filhas.

Sandra Alonso April 4, 2009 at 21:54

Pat,
Estou felicíssima por perceber que não sou uma alienígena.
Você trouxe-me ao mundo novamente… Viva a Pat!
Obrigada…
Meninas e meninos: Uni-vos! Uma nova cosmovisão vai começar. Apertem os cintos(ops! Talvez não precise, rs).
Pat, agora quero aprender a cozinhar de verdade (não sou muito boa nisso não)… mas isso, é uma outra conversa…
Obrigada por tudo.

Paula April 6, 2009 at 13:42

Que bom saber que existem “alienígenas” como eu, que gostam de criar os filhos comendo alimentos saudáveis.
Nem preciso contar meus casos aqui, pois é muito parecido com o que outras mães já escreveram.
Geralmente digo o seguinte para as pessoas que acham que meus filhos sofrem por não comer besteira: “Sou fresca assumida e este é o meu jeito de criar meus filhos. Acho que cada um deve criar os filhos da forma que acha mais correta.”
Procuro falar com tom de brincadeira para não ofender as pessoas.
Detesto os comentários do tipo “coitadinho, não pode comer isso!?” Geralmente as crianças escutam e tenho medo que fiquem se sentindo coitadinhas mesmo.
Em casa, procuro explicar que elas são mais espertas e inteligentes por estarem comendo coisas saudáveis e que as pessoas que falam aquilo não sabem se alimentar direito.
Quando meus filhos comentam que o colega é obeso ou que está sempre doente eu aproveito a oportunidade para perguntar o que ele come. Desta forma, meus próprios filhos ficam mais seguros de que fizemos a opção correta, pois mais que os outros achem estranhos.
Obrigada Pat. Adoro as suas receitas e tenho os dois livros sobre enxaqueca.

ELISÂNGELA November 3, 2009 at 14:36

BOA TARDE!

SOU ALUNA DO CURSO DE ENFERMAGEM DA ESTÁCIO, ESTAMOS FAZENDO UM TRABALHO SOBRE NUTRIÇÃO DAS CRIANÇAS, PESQUIZEI MAS NÃO CONSEGUI ENCONTRAR RECEITAS SAUDAVEIS , QUE AS CRINAÇAS MESMAS POSSAM PREPARAR DE PREFERENCIA COM FOTOS ILUSTRATIVAS.
SERÁ Q VCS PODEM ME AJUDAR, EM CASO POSITIVO, POR FAVOR ENVIE O MATERIAL PARA O E-MAIL ACIMA ESPECIFICADO

Carolina G. December 6, 2009 at 22:57

Ai, não aguento essa crise das Batatas Fritas!
Não pode ter criança que eles empurram aquilo para cima deles!
Consegui segurar meu filho até os 2 anos e meio, ele nem sabia o que era, era até engraçado minha mãe ou meu marido (sim, estou sozinha na batalha) trazendo as batatas e dizendo “trouxe batatinhas para você!” e o Ravi nem ligava, hehe… Mas agora está cada dia mais difícil. O melhor mesmo é comer menos fora de casa, porque em casa eu controlo e só faço batatas assadas, com creme de leite, ou alecrim, ou queijo, ou qualquer coisa que invento e sempre faz muito sucesso!!

Eliane Fortes March 4, 2010 at 23:00

Pat, tenho dado iogurte natural caseiro para meu filhote, ele adora, come tudinho, apesar de ainda fazer caretinhas nas primeiras colheradas… e TODO MUNDO fala assim “tadinho, é azedo” ou ainda “mas você nem adoça??”… Tenho caprichado na alimentação dele, nas papinhas com caldo caseiro, frutinhas orgânicas, etc… Apesar da pediatra ter “liberado” danoninho, gelatina, totó, biscoito doce, pão.. afff!! Como diz a Júlia Comodo, é muito mais fácil para as pessoas aceitarem essa nossa alimentação saudável se formos alérgicos, ou se tivermos alguma doença, não sei porque é tão difícil ver que nos alimentamos assim por opção, e que não é nenhum sacrifício… É isso, um pequeno desabafo tb.. Bjs

Pat Feldman March 5, 2010 at 6:39

Na prática é claro que é mentira, mas eu falo que meu filho tem mil alergias, a corante, flavorizante, glutem, açúcar, etc… É o único jeito das pessoas respeitarem UM POUCO as minhas restrições, principalmente no início. DEpois que elas notam o prazer dele com as frutas, e o desinteresse com as “porcarias”, acaba ficando mais fácil!

Mas eu morro de rir da cara de pena e horror que as monitoras de festinha fazem quando eu digo que ele não pode com doces, balas ou pirulitos….. kkkkkk

Mariana November 24, 2010 at 11:38

Eu admiro voces! Mas escolhi ser “meio-termo”. Pus aspas porque não as acho radicais, mas resolvi liberar algumas coisas pra minha filha, conforme a ocasião e os ingredientes. Tomei essa decisão porque a convivência em certos lugares realmente estava difícil.

Eu sempre tinha que me justificar (assim como vocês) e não era respeitada. Era eu virar as costas e davam porcarias a minha filha. Eu comecei a perder o controle do que ela ingeria. Acabamos discutindo várias vezes com a família até que usei a tática do “ela tem alergia”. Funcionou no começo, mas mesmo assim houve momentos de discussão porque algumas pessoas faziam questão de “esquecer que ela era alérgica”.

Mães de crianças verdadeiramente alérgicas me contam que cansaram de ir ao pronto-socorro com seus filhos depois de um churrasco, de uma festinha, etc. Se a alergia da minha filha fosse verdade, eu também seria frequentadora assídua do PS.

Depois deixamos de frequentar certos locais e isso nos distanciou da família. É triste, mas estávamos decididos a continuar nesse esquema solitário até que eu engravidei.

Tendo que cuidar da casa, da comida, das roupas e de vez em quando parar tudo que estou fazendo pra amamentar minha filha (sou adepta da amamentação prolongada), meus dias são cheios, sempre vou dormir exausta e ainda amamentava de madrugada. No entanto, com a gravidez vieram os sintomas clássicos: sono, naúseas, vômitos e eu comecei a precisar de ajuda.

Uma escolha leva a outra na vida e ter parado de trabalhar pra amamentar e cuidar pessoalmente da alimentação da minha filha nos fez baixar nosso padrão econômico. Por isso, fui obrigada a aceitar ajuda das mesmas pessoas que adoram dar uma porcaria a minha filha. Depois disso, meu leite secou e minha filha não aceitava nenhum outro leite. Só não tentei o cru porque não tenho fornecedor e , sinceramente, certos alimentos apesar de muito saudáveis pesam no bolso de quem conta moeda antes de ir ao supermercado.

Leio muito este site e outros semelhantes e me sinto frustrada por não poder fornecer o melhor a mim e minha família. Um creme de leite de lata está por volta de 2,50 enquanto o fresco beira os 8 reais. Sonho em um dia poder comer salmão selvagem mas sinceramente não sei se será possível. Agora já não olho mais aquele salmão laranja, bonito da mesma forma que antes, mas prefiro come-lo do que ficar sem nada.

Os alimentos orgânicos ainda são muito caros e concordo que é melhor pagar a mais neles do que gastar com remédios, mas sinceramente, não ficamos doentes aqui em casa. Óbvio que é frustrante imaginar que meu leite contem agrotóxicos, mas é um beco sem saída pra quem não tem condição financeira. E a amamentação traz benefícios que nenhum outro substituto traz, então dos males o menor. A saída então é escolher as prioridades.

Depois de um estudo sobre todas as porcarias que colocam nos produtos industrializados, fiz uma lista dos que considero mais nocivos. Gordura trans definitivamente não entra na minha casa. Olho o rótulo de tudo. Aprendi a ler rótulo aqui! Não tenho condição física e nem tempo de fazer tudo caseiro como eu gostaria. Cada um tem sua realidade. Por isso, muitos industrializados estão presentes nas minhas prateleiras. Mas tudo é consumido com bom-senso, cautela e somente quando não há outro jeito.

Quando alguém toma conta da minha filha pra mim, existem as guloseimas liberadas (e obviamente a quantidade que pode ser dada). Dessa forma eu tenho controle do que ela come, diferente de quando davam qualquer porcaria a ela pelas minhas costas (e eu só descobria porque o cocô dela mudava).

Minha filha conhece brigadeiro, sorvete, risoles, coxinha e adora bolo. Mas também é apaixonada por frutas, verduras e legumes. Come carne feito gente grande (frango, carne, fígado, peixes). Se bate uma fome enquanto preparo a comida, ela não hesita em pegar uma maçã na fruteira e comer sozinha sem eu nem ter que fatiar e ela tem 1 ano e 9 meses. Costumo deixar os alimentos permitidos ao alcance de suas mãozinhas e os industrializados num armário alto e fechado. Nas festas é liberado e ela se esbalda. Volta pra casa toda suja, as vezes tem até no cabelo! Só não conhece refrigerante ainda porque acho que já é demais. Me lembro da minha infância onde era permitido um copo de refri nas refeições e somente de final de semana. Eu não sentia falta de refri e as vezes até me esquecia de tomar quando era permitido. Mas o fato de poder tomar nos finais de semana e nas festinhas me fazia olhá-los como qualquer outra bebida e acredito que se fossem totalmente proibidos, isto açuçaria meu interesse por eles.

É isso que pretendo fazer com minha filha. Ela come danoninho (aprendi a fazer um caseiro agora com morangos de verdade e ricota) mas se alimenta muito bem. Os avós trazem bolinhos e outros industrializados. Libero um de final de semana sem culpa porque sei o que ela comeu dia de semana. Pra mim foi um alívio poder estar no “meio-termo”, voltar a convivência com os familiares sem o stress de antes, poder contar com ajuda agora que vai nascer o mais novo sem chutar o pau na alimentação da minha filha. Obviamente se tivesse condições de colocar uma pessoa pra fazer o trabalho doméstico aqui e olhar minha filha sob minhas regras seria maravilhoso, até pão caseiro eu faria sempre mas tempo pra sovar uma massa tem sido um sonho de consumo pra mim, rs. As vezes não consigo nem ir ao banheiro direito! O que quero dizer é que acredito que é importante sermos criativos com os obstáculos que a vida impõe. Me considero uma super mãe dentro das minhas possibilidades porque vejo na minha filha o resultado.

Taisa Cruz May 2, 2011 at 8:15

Olá, Pat,
não tenho filhos, mas concordo com sua opinião e a da leitora indignada. Acredito que agiria da mesma maneira.

Isso me lembrou o trabalho do Jamie Oliver modificando a alimentação das escolas americanas. Tudo, tudo, é pura questão de hábito!!

Pat Feldman May 2, 2011 at 8:20

Eu sou super fã do trabalho do Jamie!

Ivette May 2, 2011 at 9:45

Pat, acho que no fundo somos cada vez mais os que estamos a favor da comida saudável. Infelizmente essa mudança é mais lenta do que a gente gostaria, até pq no começo implica uma certa disposição dos adultos e adulto com vicio já viu né?

Num começo tb me incomodava com os comentários, principalmente da sogra e dos tios. Agora que eles viram os resultados de saúda super forte do meu filho e a felicidade no seu rostinho qdo come uma tigela de iogurte, ou uma saladona de frutas, roubando os pepinos da cozinha ou pegando por conta cenourinhas baby no mercado, pois estou ganhando a batalha.

A maior briga que ganhei foi a do bendito MacDon….aggg, eu era a mãe mais desnaturada por não deixar o meu filho comer nesse lugar horroroso … até o marido implicou com isso …. há uns três anos atrás decidi deixar que ele podia comer si quisesse esse bendito lanche uma vez por semestre … não precisei deixar ou não deixar ele comer essa porcaria por mais de um ano. Da última vez que chgamo sperto disso numa viagem, ele queria pq queria e pidiu, no final, qdo terminou de comer, veio do meu ladinho e falou “mãe, acho que um prato com arroz, feijão, ahhh…uma carninha e saladinha ainda cabem na minha barriga … que tal. hein??” … pronto …. sabor de triunfo na minha boca e no meu coração!!! … nunca mais!!!!!

De tempos em tempos, eu faço hambúrguer em casa, com todo feito em casa, exceto o pão que compro numa padaria super caseira. Na semana passada um colega do meu trabalho pergunto pra ele … e ahi carinha, vc gosta de hambúrguer? ele disse “ahhh sim”; o tio perguntou “qual? Mc Donald?”, e finalmente ele respondeu “nãooo, o da minha mãe!” … mas que orgulho!! mesmo toooooodos me dizendo que não seria possível eu mostrei o contrário! … no final, ninguém nos tem que dizer como cuidar dos nossos filhos … se a nossa alimentação é assim, se eu não como porcarias, eu não tenho pq oferecé-las ao meu filho e ninguém virá me dizer o contrário … certo?

q

Ivette May 2, 2011 at 9:46

Que alegria encontrar mais pessoas com pensamento diferente e a favor da saúde e da felicidade!

Amanda Westerman Castanho May 2, 2011 at 10:32

Olá!
Sou luso-brasileira, mãe de um rapaz de 2 anos e moro numa pequena vila em Portugal. Por aqui sempre fui vista como “a índia subdesenvolvida” por cuidar da alimentação do Gugs, pois as pessoas tem a idéia de que alimentação saudável é comer peixe no almoço e no jantar, regado em meio litro de azeite e batatas, e que biológico é qualquer coisa que venha da terra, mesmo cheio de químicos.
O fato dele estudar numa eco-escola me ajuda bastante. As educadoras percebem o quanto a boa alimentação é importante e enviam para as mães a ementa semanal, que consiste numa sopa biológica, carnes (todas,que variam diariamente), muitas frutas, pão e iogurtes no lanche, suco de frutas natural, muito parecido com o que faço em casa. Ele não come chocolates, achocolatados, presuntos, maioneses,fritos comida enlatada, papas pré-fabricadas, sucos engarrafados, refrigerantes…
A família do meu marido é toda diabética. Não impeço que meu filho coma doces, mas não come doces na rua indiscriminadamente. Se alguém lhe der um pirulito, deixo-o comer, mas não compro pra ele. Prefiro os sucos de fruta feitos na hora, ou água, a dar-lhe refrigerantes ou qualquer coisa industrializada. Come os bolos que eu faço de vez em quando, com açúcar amarelo, iogurte. O avô perguntou-me se podia leva-lo pra tomar um sorvete, e eu pedi que o levasse então a uma sorveteria local que faz o seu próprio sorvete, diariamente.
Meu marido só entendeu como era importante a alimentação que faço com o miúdo quando ele ficou doente pela primeira vez, aos 22 meses. Até então nunca tinha tido uma febre ou uma gripe, para espanto da médica do hospital (a pediatra dele estava de férias). Começou a perceber que os filhos dos amigos não dormem (entupidos de açúcar) e o nosso dorme de 11 a 12 horas por noite, desde os 2 meses de idade; os filhos dos amigos estão sempre doentes e nós ainda não assistimos a outra febre.
Nada de excessos, nem nada de fundamentalismo.
Um beijinho a todos, AWC

Simone May 2, 2011 at 10:58

E quem disse que uma alimentação saudável não pode ser doce tb. Iogurte natural nem sempre precisa ser consumido puro, azedinho, um bom mel pode deixa-lo docinho e continuar bem saudável.
Tb estou melhorando a cada dia a alimentação aqui de casa, e confesso que está sendo mais difícil com o marido do que com a minha filhota de 4 anos. Mas já melhoramos muita coisa, e a pequena adora as opções saudáveis.
Amamos bolo, e o de cenoura (sem cobertura, claro, e é assim que a pequena gosta), e o de maçã com passas e nozes (ou castanha do pará), são os seus preferidos.
Tb adoro pão caseiro e o iogurte caseiro entra em todas essas receitas, e sempre estou em busca de novas, para serem introduzidas no nosso dia-a-dia.
Parabéns para todas as mamães, que em meio ao dia-a-dia hiper corrido, ainda optam por uma alimentação natural, mais saudável para sua família.

Vanessa May 2, 2011 at 11:52

Oi pessoal, eu não tenho filhos, mas uma coisa importante que Pat comenta, sobre seu filho maior, que ele não tem VONTADE de comer porcarias, não sente falta. Nossa, isso é tão importante. Eu cresci numa cidade pequena e meus pais não tinham muitos recursos, por isso talvez não fui acostumada a esses sabores tão artificiais “ligados” à infância.

Hoje em dia, eu posso até provar esse tipo de comida industrializadíssima, mas não me “chama”, talvez porque não tenho um laço “afetivo” com esse tipo de alimentação. Eu acho que essa relação com a nossa infância (tempos felizes e despreocupados com a saúde) é muito forte no futuro, por isso, parabéns às mamães que lutam “contra” a corrente. No futuro, seus filhos serão adultos menos suscetíveis às tentações da indústria.

Pat Feldman May 2, 2011 at 12:18

Pois é, Vanessa! a gente só sente falta daquilo que conhecemos.

Simone May 2, 2011 at 12:01

Ivete, como vc faz hamburguer em casa? Já tentei algumas vezes, mas sem sucesso. Tb odeio essas lanchonetes, e sempre faço uma opção saudável desses lugares, em casa, em um lanche de final de semana, num momento mais descontraído, o nosso famoso “momento família”. Se puder me enviar no e-mail:szk11@hotmail.com, eu lhe agradeço.

Pat Feldman May 2, 2011 at 12:15

Simone, aqui no site temos uma ótima receita: http://pat.feldman.com.br/2007/02/03/hamburguer-de-picanha-caseiro/

Simone May 2, 2011 at 13:52

Maravilha Pat!!! Farei final de semana, tomara que dê certo.
Bjs.

Carolina Marques May 2, 2011 at 16:37

Interessante este texto pois semana passada mesmo meu filho pediu para trocar o sanduíche do colégio por brócolis e tomate cereja. Assim como eu não proíbo alguns alimentos que não considero saudáveis (mas tb não estimulo), acho natural que a criança assimile o hábito dos pais. De qq maneira, eu não me sinto um ET por meu filho levar brócolis pra escola. E acho que nem ele pois senão não faria disto um hábito. E olha que mora nos EUA, país dos hamburgers e nuggets. Adorei o post.

sandra May 2, 2011 at 18:30

Como estou feliz por saber que nao é so eu que que sou “anormal”qto a uma alimentaçao saudavel…risos

Aline Abe Pacini Matsumoto July 14, 2011 at 12:59

Oi Pat, oi pessoal!

Infelizmente não consegui ler todos os comentários porque estou numa correria danada, mas resolvi deixar uma mensagem e também uma pergunta. Começando pela pergunta:
– Por que não tem receita de frutos do mar? (ou eu não consegui localizar…). Não que eu faça ou coma este tipo de comida com frequencia, mas gosto de camarão de vez em quando e queria saber se existe um motivo específico.
Agora a mensagem.
Bom, estou na mesma onda das pessoas daqui! Ainda não consegui substituir tudo, mas com um marido que cultivou gordura no fígado comendo muita junk food, com duas bebês em plena educação alimentar e comigo mesma supersimpatizante da alimentação saudável, resolvi “jogar fora” a maioria das receitas acumuladas e fiquei muito feliz em encontrar este blog. Literalmente, um achado!
Parabéns, e continue nos brindando com estas dicas tão preciosas.

um abraço!!
Aline

Pat Feldman July 14, 2011 at 23:21

aline, a falta de frutos do mar é mera coincidencia, falta de hábio meu, já que aqui em sao paulo nao consigo encontrá-los frescos como se deve. mas tenho algumas receitas de peixe e com certeza uma ou duas com camarao. os demais, nao sou muito fa mesmo de comer e confesso que nem sei preparar….. obrigada pelo carinho, e quanto à mudanças para melhor, nao tenha pressa, mude um pouco por vez e quando notar, terá mudado um mmonte, para melho.

sandra April 5, 2012 at 11:44

Oi Pat,nossa q alegria deve ser p vc ver a sua filha comendo frutas,a minha mais é bem dificil a unica coisa q ela consegue comer sem eu empurrar e alface,graças.Mas eu tenho esperança,pois a mais nova come de tudo e quem sabe ela começa a comer tambem.Vc tem alguma dica,p eu poder fazer ela comer de td tbem?Nunca dei refrigerante p elas,mas dava de vez em quando suco de soja,q achava q era bom.Gostaria de saber se o vinagre q a gente compra tbem n é saudavel e quel o melhor oleo p usar,ultimamente to usando muito o azeite extra virgem.E se vc pode me passar a receita desse bolo q vc cita.Estou começando a fazer uma horta em casa,primeiro estou começando com temperos,alecrim salsinha,cebolinha etc,espero q de certo.

Társia Suelem September 23, 2013 at 11:36

E meu filho que todos dizem que é coisa de pobre levar água na lancheira, dizem sua mãe não tem dinheiro para comprar suco de caixinha daquela marca famosa, ou refrigerante. A avó paterna diz que ele vai ficar desnutrido porque não bebe coca-cola ou come Mc donald’s, me dizem que sou general da dieta. O amiguinho da escola diz que iogurte natural parece vermes. Outro dia uma mãe da escola disse que sou esquisita e tenho estômago fraquinho porque como orgânicos e ensino a Joãozinho que refrigerantes, e outras coisas são veneno. Ixe fiquei retada.

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