Jardim aromático

by Pat Feldman on 03/05/2009 · 11 comments

in Dicionário de Ervas e Condimentos, MAIS...

Alecrim rasteiro

Alecrim rasteiro

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Eu deveria morar numa casa, de preferência uma casa com quintal bem grande, um monte de canteiros para ter plantado um pouco de tudo. Não, talvez eu devesse morar num sítio, onde além de plantar comidinhas, eu poderia ter meia dúzia de galinhas ciscanto no quintal e quem sabe até uma vaquinha feliz para me dar leite fresco e saudável todas as manhãs.

Tudo isso muito bom, mas a verdade é que mesmo com toda a loucura, eu gosto muito de morar em São Paulo e me sinto sinceramente mais segura num apartamento do que numa casa (pode ser uma falsa segurança, mas ainda assim, é como me sinto). O grande quintal vai ter que esperar, as vacas e galinhas vão ter que esperar mais ainda, mas algumas plantinhas, comestíveis ou não, sempre foram e sempre serão muito bem vindas na minha casa. Adoro comprar plantas, folhagens e flores e adoro ganhar tudo isso – avisei meu marido desde o começo que troco qualquer bombom por flores!

O meu apartamento tem uma peqeua varanda e uma respeitável jardineira sob as janelas dos quartos, que eu logo tratei de encher de plantas. Tem um jasmim enorme e perfumado, dama da noite ainda tímida, primaveras por todos os lados, gerânios que crescem loucamente e até um pequeno pé de insendo, que ganhei de uma vizinha. A varanda tem uma samambaia de quase 30 anos (era da minha sogra), uma ráfia que a cada dia fica mais bonita, uma folhagem que vocês vão me desculpar, mas não me lembro do nome mas que é linda (“ripsalis”, acho que é isso). Há algum tempo, com dor no coração, me livrei de um sabugueiro que ficou bem doente e eu não consegui tratar e de um vaso enorme de alecrim rasteiro que morreu de velho, durou uns 7 anos.

Eu acho que a minhas plantas aqui são abençoadas pelo sol que bate toda a tarde, porque cuidados com elas, eu até tenho, mas poucos, talvez muito menos do que elas precisam e merecem. Molho algumas vezes por semana, aparo as folhas secas vez ou outra. Mas não gosto de químicos e não quero saber de adubos artificiais por aqui. Tenho gatinhos que adoram plantas, tenho um filho peqeuno e eu não quero para minhas plantinhas o que não quero pra mim. A manutenção dos nutrientes da terra eu fazia de uma forma “meio-muito-amadora”: chás de cascas e restos de frutas para regar ocasionalmente e chás de cravo e/ou alho quando via algum bichinho que não deveria estar por lá.

Ontem resolvi finalmente visitar o viveiro de mudas orgânicas da minha querida amiga Sabrina. Da minha casa, na região central de São Paulo, não é muito perto, mas num fim de semana vale o passeio muitíssimo! O nome do lugar é SABOR DA FAZENDA.

Eu os conheci através da feira de orgânicos da Água Branca, onde eles estão todos os sábados vendendo mudas e vasos lindos de ervas, condimentos e chás orgânicos – sempre acompanhado de uma explicação detalhada sobre como replantar e cuidar. Mas eu tinha curiosidade mesmo era de conhecer o viveiro, com tudo o que se tem direito.

Ao chegar fui super bem atendida, e a visita que era para ser rápida – o local fecharia em menos de uma hora – se estendeu por quase 3 horas!!! E ninguém deu a impressão de que queria nos mandar embora logo, o atendimento foi primoroso (e depois de um dia inteiro de trabalho, todo mundo com certeza tinha todo o direito de estar cansado e doido para chegar em casa!!).

Olhamos, perguntamos, escolhemos, perguntamos mais, mudamos as escolhas, conversamos muito. A vontade era comprar um pouco de cada, a lista de opções é enorme e se vê claramente que tudo por lá e feito com muito cuidado e carinho.

Acabei escolhendo uma cuia de madeira onde plantamos 6 mudas de alecrim rasteiro – assim substituo o vaso “falecido”, mais um vaso com manjericão, outro com menta, outro com hortelã e outro maior, com um lindo pé de babosa. Ainda fique morrendo de água na boca com a lavanda, o curry (um arbusto pequeno, que se parece com um alecrim esbranquiçado e tem o cheiro daquele tmepero indiano delicioso). Queroa ter levado também um pouco de salsinha, cebolinha francesa, coentro, sálvia, orégano, tomilho, tomilho limão, outros tipos de manjericão, boldo (tem vários tipos diferentes), etc… Enfim, a lista era grande, mas para tuuuuuuudo isso era preciso dinheiro e principalmente espaço! Eu não tenho espaço para tudo isso, então acabei optando pelas mais resistentes e pelas que uso mais.

O alecrim eu aprendi que é uma plantinha ótima para os distraídos. ela não precisa e nem gosta de muitos cuidados. Água uma vez ou outra, cortar as pontinhas dela uma vez ao mês e uma afofada na terra do vaso quando a gente lembra. O alecrim gosta do sol, ótimo, porque isso não falta na minha varanda!

Manjeircão, menta e hortelã também são fortes. Aguentam a farra aqui em casa!

Contratei o Vando, que trabalha lá no Sabor de Fazenda para vir hoje aqui em casa e fazer um “check-up” geral do que já tinha por aqui. ele tirou mato, vitaminou, afofou, cuidou e me ensinou mil truques nos cuidados ocm as minhas plantas.

Será que dou conta do recado?

Ele saiu daqui hoje e deixou tudo lindíssimo!!!

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{ 11 comments }

Luana Arnhold May 3, 2009 at 23:11

Pat!!
Que lindo!! Tambem quero! Fiz hj o bolo de carne para o jantar… Fiz um prato pra mim e outro igualzinho para a Bia, e ela simplesmente nao quis comer a carne dela. Coloquei com legumes e arroz branco. Ela nao comeu quase nada, cuspiu a carne e deixou tudo no prato. Coloquei só arroz entao, para ver se ela comia pelo menos algo, ela mal comeu. Eu estava comendo,ela veio ate onde eu estava, roubou o meu prato e comeu alguns pedaços. Bom.. foi uma primeira tentativa!

Pat Feldman May 4, 2009 at 7:15

Luana, é novidade para ela, e é normal uma certa resistência.

Judite Santos May 4, 2009 at 4:02

Querida Pat
Adorei este artigo, também queria ser sua vizinha neste sítio porque tenho os mesmos anseios. Como, também, moro num apartamento com três varandas tenho plantas em todas e também tenho as minhas ervinhas aromáticas na varanda do meu quarto, assim de manhã, quando acordo, abro a janela e respiro logo aquele cheirinho maravilhoso! Só que como moro em Portugal, duas varandas são fechadas por causa do frio e tenho que ter muito cuidado com as plantinhas no inverno pois algumas, não tão resistentes, podem morrer. São, para além da utilidade comestível e decorativa, uma grande terapia!
Um grande beijinho a essa família linda!
Judite Santos (Sua amiga no orkut)
Porto – Portugal

Niquéli May 4, 2009 at 9:15

Pat, poderia explicar a diferença entre a babosa e a aloe vera.
Obrigada

Pat Feldman May 4, 2009 at 14:20

Niquéli, são duas plantas diferentes, apesar de serem da mesma família – aprendi isso na minha visita ao viveiro Sabor de Fazenda.

As propriedades aparentemente são similares, mas veja as plantas como são diferentes (achei essas imagens usando a esquisa do google):

– Aloe-vera: http://www.needahandspanishproperties.com/Aloe%20Vera%20Picture%20-%20full%20page.jpg (folhas mais compridas, gordas e suculentas, sem caule/tronco)
– Babosa: http://pat.feldman.com.br/wp-content/uploads/2009/05/cimg3109.jpg (veja como as folhas são mais miudas e menos suculentas, e saindo da terra se nota um peqeuno tronco)

Célia Cristina May 4, 2009 at 9:33

Oi Pat. Obrigada por esclarecer minhas dúvidas sobre o adubo químico, usarei só orgânico, mas sobre o chá de cravo e alho, como é que você faz? E o chá de fumo de corda?
Você disse que rega suas plantas com chá de restos de alimentos e cascas de frutas, isso serve para nutrir as plantas?
Outra coisa, me disseram que eu deveria usar calcário na terra nem sei bem porque, mas o que você me diz do calcário?

Pat Feldman May 4, 2009 at 14:00

Célia, não tem muita dificuldade nem medidas exatas. Pego um punhado de alho, e/ou cravo, e/ou fumo de corda e fervo em água. Ferveu, abaixo o fogo e deixo cozinhar tampado por mais uns 5 minutinhos. Depois é só diluir em mais um litro de água, deixar esfriar bem e usar num borrifador.

Para cada litro de água eu uso em torno de uma colher de sopa dos ingredientes.

O meu “chá de restos”foi uma forma informal e natural que arrumei para nutrir minhas plantas. Não aprendi com ninguém, foi uma coisa intuitiva, mas que vem dando certo. Alguns “espeialista”, mas que só entendem de adubação química, me alertaram que tais chás poderiam alterar o pH da terra, desregular o ambiente e prejudicar minhas plantas. Não sei até que ponto eles yêm razão ou não, mas eu nunca tive problemas!

Outra dica que aprendi nesse domingo foi secar as cascas de todos os ovos que eu usar, batê-las no liquiificador até virarem pó, e jogá-las na terra dos vasos e jardineiras. Fortalece muitíssimo a terra. As cascas secam rapidamente aosol, porém você também pode secá-las no forno baixo. Uma fas funcionárias que me atendeu também falou que bater as cascas de ovos secas no liquidificador é bom para afiar as lâminas dele. Unimos então muitas utilidades numa única coisa, adorei!

Sobre o calcário não sei dizer. Ainda preciso estudar um pouquinho mais sobre plantas…

Milene May 6, 2009 at 8:48

Pat,

Mais uma vez, uma dica e tanto. Já estou programando minha ida ao Sabor da Fazenda. Minha varanda também está prestes a virar uma horta…rs…., mas preciso de ajuda mais especializada.
Obrigada!
Milene.

Pat Feldman May 6, 2009 at 8:54

Milene, com certeza o pessoal da Sabor de Fazenda vai poder te ajudar muitíssimo lá mesmo ou se você preferir ajuda mais específica, contrate um dos meninos para ir à tua casa. Vale a pena!

Quando estiver com a varanda pronta, mande uma foto!

Rosemeire July 7, 2009 at 8:40

Bom dia
Gostei muito deste site e gostaria de saber como posso fazer um jardim aromático??
quais cuidados deverei tomar ao fazê-lo e o que tanto posso plantar??
No aguardo
Grata pela atenção

Cromagnon March 17, 2013 at 1:01

Não sabia da diferença entre aloe vera e babosa…oque tenho em casa é babosa, será que pode ser preparada para o consumo (mel+pinga+folha sem espinhos) como a aloe vera??

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